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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Um pato na piscina

 Sempre me encantaram os Contos Infantis. Tive a sorte de ter uma infância recheada de histórias, contadas por várias pessoas, e um universo mágico onde podia dar asas à minha imaginação. Mais tarde, já adulta e com filhos, procurei transmitir-lhes a mesma magia dos contos que tinha ouvido e que permaneciam nas minhas memórias. Confesso que muitas vezes inventei histórias onde eles eram os protagonistas. Sempre senti que a cumplicidade entre quem conta e quem ouve era a verdadeira magia e que trazer essa magia para o espaço  do quotidiano, o verdadeiro segredo. Aqui fica uma história que escrevi para o meu filho Francisco. Espero que gostem.
                       

UM PATO NA PISCINA

Era uma vez uma casa no meio da serra. Chamava-se Casa da Lua. Era cor-de-rosa, tinha um jardim grande e bonito e uma piscina muito azulinha. Na casa moravam a avó Lena e o avô Tino que estavam sempre a convidar os filhos, os netos e os amigos, pois gostavam de ter a casa sempre cheia de alegria.
Um dia, a avó acordou muito cedinho e quando abriu as cortinas, para que o sol sonolento de Outono entrasse, ficou de boca aberta. Sabem o que ela viu? Um pato na piscina. Era um pato gordo, todo branquinho, com umas asas capazes de grandes acrobacias no ar. A avó nem queria acreditar! Esfregou os olhos e pensou: - Se calhar ainda não acordei e estou a sonhar! Mas não. Estava bem acordada, pois o pato continuava na piscina azulinha.
E agora o que é que eu faço? – Perguntou a avó.
Resolveu sair para falar com ele e saber se estava perdido e como o podia ajudar. Só que a avó não sabia falar a língua dos patos, nem o pato a língua da avó. Conclusão: não se entenderam. Mesmo assim, a avó foi buscar comidinha e aguinha fresquinha sempre a pensar o que havia de fazer para entender e ajudar o pato. De repente, teve uma ideia brilhante.
Toda a gente sabe que as crianças sabem falar todas as línguas porque começam por falar com o coração e só depois com as palavras. Então, a avó pegou no telefone, ligou para a mãe do Francisco e explicou-lhe o que se passava.
O Francisco estava na escola, mas como era um assunto urgente a mãe foi logo buscá-lo e seguiram para a Casa da Lua. Quando lá chegaram o Francisco sentou-se ao pé da piscina e perguntou ao pato:
- Ó pato, o que é que estás aqui a fazer?
- Perdi-me – respondeu ele muito triste. Ia com os meus amigos para uma terra mais quentinha, porque o Inverno está quase a chegar e nós patos somos muito friorentos, mas como também sou um pato muito curioso, vi esta piscina muito azulinha e não resisti a dar um mergulho, porque já há muitos dias que voávamos e estava com saudades de uma boa banhoca.
- E agora? – Perguntou o Francisco. O que podemos fazer para chamar os teus amigos?
- Olha, eu já estou rouco de tanto grasnar, mas se tu me ajudares, grasnamos os dois e talvez eles ouçam o nosso pedido e voltem para me vir buscar.
- Está bem – disse o Francisco.
Começaram os dois a grasnar o mais alto que conseguiam: quá, quá, quá, quá,quá, quá….mas não havia sinal dos outros patos e eles já estavam muito cansados. Foi nessa altura que o Francisco teve uma ideia.
- Olha pato, e se eu convidasse as minhas tias e os meus primos e os meus amigos todos e lhes ensinasse a grasnar? Seria um grasnar tão forte que de certeza que os teus amigos iam ouvir.
- Que rica ideia amiguinho – disse o pato com um ar mais animado.
O Francisco pediu à avó e esta foi logo telefonar para a família que passado um bocado começou a chegar trazendo os amigos e os amigos dos amigos. Era uma multidão que encheu o jardim todo.
Então, quando já estavam todos, o Francisco ensinou-os a grasnar, para que, em língua de pato,  gritassem o sítio onde estavam e o pedido para que viessem buscar o amigo.
Foi um som intenso que se ouviu pela serra toda. Quá, quá, quá, quá, quá….e, de repente, passado um bocadinho, vindos de todo o lado, começaram a chegar patos iguais ao pato da piscina, que não cabia em si de contente.
O pato chegou ao pé do Francisco e enrolou-o nas suas asas brancas como neve, num abraço muito apertadinho, grasnando um obrigado muito sentido. Depois, com o bico muito amarelo tirou uma pena do peito, mesmo junto ao coração, e ofereceu-lha dizendo:
- Serás sempre o meu querido amigo e, todos os anos, quando passar por aqui virei visitar-te. Esta pena é para que não te esqueças de mim. Agora tenho de ir. Adeus.
O céu encheu-se de uma brancura alada com todos os patos a levantarem voo ao mesmo tempo. No jardim só se viam mãos abertas e sons que diziam quá, quá, quá, quá, quá….o que na língua de pato quer dizer:
- Adeus amigos, estaremos à vossa espera na Primavera.
Alexandra Pelágio

7 comentários:

  1. Linda esta história, Teresa... quem me dera ter asas também e falar a língua dos patos!!!1
    beijinho com saudades
    Isabel

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  2. Isabel
    Esta história não é minha. É da Alexandra como te disse na resposta ao comentário do post anterior (e está assinada também). Este blogue estava realmente a tomar um cunho muito pessoal e as minhas amigas até se estavam a inibir com esse facto. As histórias inspiraram a Alexandra e eu fiquei super feliz, pois talvez tenha sido o mote para desbloquear algo neste caminho que é de nós as três. E é linda mesmo esta história. Um abraço para ti também
    Teresa

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  3. Alexandra:
    Adorei!
    Também gosto de inventar histórias para os miúdos, mas confesso que não saem tão bonitas...
    E essa casinha côr-de-rosa soa mesmo ao tipo de casa que eu quero ter quando for "grande".

    Boa semana para todas, pois a beleza deste blogue é a multiplicidade que tem!

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  4. Parabéns Alexandra, pela linda história. De uma maneira muito agradável ensinaste ao teu filho que se deve sempre ajudar um amigo em dificuldades e que juntos se consegue tudo. Sabes, uma coisa que eu muito admiro na minha nora é a " festa " em que ela transforma a hora do banho e de pôr os filhos na cama( ele com 4 e ela com 18 meses; durante o banho brinca com eles, cantam juntos as cançõezinhas que eles sabem, depois o mais velhinho escolhe o livro que quer ler. Os primeiros livros de criança quase só teem gravuras; ela senta com ele e vai contando a história enquanto ele acompanha pelas gravuras. Um dia fui eu contar-lhe uma; contei a do soldadinho de chumbo e lá estava ele com atenção acompanhando as gravuras e comentando; a dada alltura disse-me " vovó o soldadinho passou num túnel...( eu tinha esquecido essa parte) Até hoje é assim e ele aprendeu a respeitar os livros, tem muito cuidado com eles e não há um que esteja rasgado. Penso que as mães não teem razão quando dizem que não teem tempo; acho que uns 15 minutos que " percam" a contar uma história aos seus filhos, não lhes faz falta nenhuma e para eles faz uma diferença incrível. Claro que tavez tenham de deixar de ver uma novela, mas aqueles minutos de aconchego e cumplicidade entre mãe e filho são importantissimos; o Lucas fica a contar à mãe o que fez na escola, o que aprendeu, as brigas com o s amiguinhos etc, etc; um dia, quando crescer, a mãe continuará a ser a sua confidente; vejo isso pelos meus que nunca adormeciam sem que eu ficasse junto deles a perguntar sobre o dia deles na escola, etc. Penso que as nossas crianças de hoje sentem muita falta desse mimo; não é preciso muito tempo; uns 15 minutos bastam para que eles se sintam mimados e adormeçam felizes. Parabén pelo tema. É super importante que chamemos a tenção para este facto que parece sem grande valor, mas que é fundamental para um crescimento saudável.Quando vejo a " festa" dos meus netos na hora de irem para a cama, com aqueles olhinhos brilhando e com as gargalhada que dão com a mãe a cantar e a dançar, fico com imensa pena daquelas que são jogadas na cama sem sequer um beijinho de boa noite.Claro, a minha nora não vê novelas...só lá para as 22 é que ela sossega e fica com um pouco de tempo para ela; deitar os filhos e dar-lhes banho é uma tarefa que ela só dá a uma outra pessoa em caso de urgência; só o pai que, às vezes deita um enquanto ela deita o outro, mas isto, depois da " festa" acabar. Gostei muito do tema! Um beijinho e uma boa semana para todas.
    Emília

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  5. Que bonita história Alexandra. Muito parabéns por ela!

    Boa semana

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  6. Obrigada pelos comentários à minha história. É bom chegarmos a adultos e encantarmo-nos com histórias infantis. Penso que é sinal da tal magia que nos passaram, que continuamos a passar, mas também a querer receber. E embora o pretexto de as contar aos mais novos seja sempre excelente, é também uma maravilha lê-las ou ouvir contá-las, ainda hoje. Apesar de ler o blog e de já vos conhecer um pouco, tem sido a Teresa a grande impulsionadora do mesmo e este foi apenas o meu segundo contributo. Fico feliz e sorrio por vos ter proporcionado um bom momento. Talvez, em língua de pato ou não, consiga comunicar alguma coisa. Um grande beijinho.
    Alexandra

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  7. Alexandra: faz favor de continuar a comunicar mais, seja em linguagem de pato, em prosa ou em verso, mas que a magia seja partilhada connosco, pois não há melhor optimismo que o que nos faz sonhar, e bem alto!!!

    Bom fim-de-semana ('tá quase...)!

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