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domingo, 26 de maio de 2013

Para refletir

 imagem tirada da net

"Todos, sem exceção, temos um defeito dominante. E a melhor forma de corrigir defeitos é desenvolver as qualidades contrárias. E o segredo para desenvolver qualidades ou virtudes é puxar pela nossa melhor qualidade. Quando desenvolvo o meu talento, todo o resto da personalidade cresce e amadurece. Qual é a minha melhor qualidade?"
Vasco Pinto Magalhães, Não há soluções, há caminhos

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Alegria

A alegria é o sentimento mais solidário que conheço. Quem está alegre nunca está só. Tem pensamentos de companhia, que transbordam as dimensões meramente individuais e se comunicam a tudo o que nos rodeia: às flores, aos pássaros e, sobretudo, às pessoas, que, quando não estão doentes ou deprimidas, gostam muito de partilhar este sentimento.”
                                                                                                 Ana Cristina Alves



        Alegria é das palavras que só de pronunciar já me contagia pelo que significa. Ao contrário da tristeza, a alegria abre-nos ao mundo e faz-nos sentir realmente vivos. É a essência da vitalidade, o sol da nossa vida. Mas, como nos diz José Tolentino Mendonça, a alegria não nos pertence, a alegria atravessa-nos, pois nasce do acolhimento.


Sejamos porosos à vida, acolhamo-la em hospitalidade.



domingo, 12 de maio de 2013

Presença e empatia



- “Olá, bom dia! – Disse o principezinho.
- Olá, bom dia! – Disse o vendedor.
Era um vendedor de comprimidos para tirar a sede. Toma-se um por semana e deixa-se de ter necessidade de beber.
- Andas a vender isso porquê? – Perguntou o principezinho.
- Porque é uma enorme economia de tempo – respondeu o vendedor. – Os cálculos foram feitos por peritos. Poupam-se cinquenta e três minutos por semana.
- E com esses cinquenta e três minutos faz-se o quê?
- Faz-se o que se quiser…
“Eu” pensou o principezinho, “eu cá se tivesse cinquenta e três minutos para gastar, punha-me era a andar muito calmamente à procura de uma fonte.”
Saint-Exupéry, O Principezinho

O principezinho leva todo o tempo necessário ao que o vai saciar, revitalizar – todo o tempo necessário para estar onde a vida alimenta e sacia verdadeiramente.
E nós? Vivemos numa época em que comunicamos cada vez mais depressa e cada vez pior. Telemóveis, correio eletrónico, facebook, autoestradas de informação… Sim, trocamos muita informação, mas não alimentamos contactos férteis, não nos encontramos verdadeiramente.
Passamos a vida a dar e receber pílulas para deixarmos de ter sede. É a gestora que telefona sistematicamente ao filho por volta das 19h: "Meu querido a mãe está com muito trabalho e ainda tem uma reunião esta noite, por isso vai chegar a casa mais tarde. Tens uma pizza deliciosa no congelador, é só pô-la no micro-ondas.” Pílula! Não tenho tempo para ti, a pizza há-de substituir um jantar em família. “Meu querido, o pai tem uma reunião importante esta tarde. Tens uns vídeos no armário da televisão, diverte-te.” Não tenho tempo para ti, a minha partida de golf ou a minha reunião de antigos alunos é mais importante. Ou ainda mais subtilmente: “Sei que estás muito triste. Vê se consegues dormir e amanhã, quando acordares, vais ver que já passou.” Pílula! Escutar-te é cansativo e aborrecido, tenho mais que fazer, ainda por cima, já é tarde e estou estafado.
E lá vamos nós a correr, de pílula em pílula, de obrigação em obrigação, espantando-nos de continuar com tanta sede nesta busca insaciável, sempre insatisfeitos de garganta e alma secas. Estamos sentados no único poço realmente capaz de nos matar a sede: a presença a si próprio, presença ao outro, presença ao mundo.
O que mais precisamos é de presença e quando alguém em sofrimento nos procura, a tendência que temos é a de negar o seu sofrimento (“a coisa não está assim tão má, isto já passa, a vida é bela”) ou tentarmos distraí-lo do seu próprio sofrimento (“vem fazer desporto para arejares as ideias”). Pensamos numa série de soluções e bons conselhos para ficar, no fundo, nós próprios descansados e convencidos de ter feito tudo o que era preciso, já que nos ensinaram, sobretudo, a “FAZER” em vez de “ESTAR” e de “ESTAR COM”.
Quando “desbobinamos” todas as nossas soluções, rol de conselhos tranquilizantes, não estaremos a cuidar da pessoa, mas sim de nós próprios, da nossa própria angústia; não estaremos com ela, mas com o nosso pânico, ou culpabilidade só de pensar que podemos falhar no nosso “dever de fazer tudo como deve ser”. Mas se conseguirmos tocar quem nos procura com a nossa empatia, se acompanharmos na sua aflição com toda a nossa presença e benevolência estaremos, de facto, juntos; a pessoa sentirá que não está sozinha e isso faz toda a diferença.
Empatia ou compaixão é focalizar toda a atenção no que se está a viver no momento. Um caminho em que três etapas se destacam:
1ª) Não fazer nada
Realmente ensinaram-nos justamente o oposto: “Não fiques aí especado, faz qualquer coisa”. E acabámos por nos tornar incapazes de simplesmente ouvir sem fazer nada, incapazes de escutar verdadeiramente o outro.
2ª) Focalizar a nossa atenção nos sentimentos e necessidades do outro.
3ª) Parafrasear para tentar tomar consciência dos sentimentos e necessidades em causa – escuta ativa.
A empatia é a chave da qualidade da relação connosco e com os outros. É ela que alivia, vivifica. E... para a empatia não existem pílulas.


 Fonte:  Seja verdadeiro, Thomas d`Ansembourg

sábado, 4 de maio de 2013

A coragem no quotidiano




“O heroísmo no quotidiano não consiste em denunciar ou ficar indignado, mas em enfrentar o insuportável, em dizer o inaceitável, em resistir às mil tentações dos pequenos atos de covardia pelos quais tantas vezes, contra a nossa vontade, por comodidade ou passividade, nos deixamos levar.”
Jacques Salomé



"Nenhum pessimista jamais descobriu os segredos das estrelas, ou navegou por mares desconhecidos, ou abriu uma nova porta ao espírito humano."
Helen Keller

“A tradição ocidental não deixa margens para dúvidas na ligação que faz entre sabedoria e pessimismo. Bastaria um daqueles inesquecíveis retratos de Rembrandt para nos dizer tudo: sábio é aquele que se senta na penumbra, olhando com ponderada distância para as ilusões de transparência que a luz e a existência acendem. O que não é propriamente algo que tenha mudado. Veja-se como mais facilmente o taciturno passa por sábio do que o homem alegre. E um espírito torturado e reticente arranca maior alcance e aplauso do que todos os que se esforçam por manter ativa a esperança.
Há, de facto, um erro de avaliação que leva a considerar a jovialidade do otimista como característica espontânea de caráter, que nada deve à decisão, à maturação da vontade ou à tenacidade. Aliás, o mais comum é arrumar o otimismo na ingénua estação dos verdes anos (mesmo se ele persiste fora de época) e reservar o fruto comprovado da argúcia apenas para o seu oposto. «Juventude ociosa/ por tudo iludida/ por delicadeza/ perdi minha vida» - é aviso de Rimbaud, garantem-nos. No pessimismo, pelo contrário, nada se perde, pois somos levados a adivinhar aí um coerente processo de consciência, uma abrangência de análise sobre todas as variantes, um metabolismo sagaz da pequena e da grande história.

Contudo, o que realmente experimentamos é o avesso desta experiência, já que o pessimismo é, em muitas circunstâncias, a resposta mais fácil às solicitações do tempo. Os que só vislumbram doses colossais de ciência e de humanidade no pessimismo, esquecem quanto ele pode ser conformista, parcial ou insensível. Certamente que o pessimismo desempenha uma função purgatória face às derivas, mas um mundo gerido por pessimistas talvez não nos levasse sequer a levantar âncora do porto. Importa sublinhar que otimismo não é fatalmente leviano ou infundado (e não deveria sê-lo nunca). Os otimistas autênticos não são os que desconhecem as razões que levam outros ao seu inverso, mas aqueles que dominando objetivamente o quadro do real mesmo assim o integram num projeto maior e paciente, onde os obstáculos podem constituir oportunidades.”
José Tolentino Mendonça



De facto parece persistir uma associação entre pessimismo e superioridade intelectual. Mas afinal onde está a sabedoria? Naquele que, taciturno, se refugia no pessimismo da razão limitando-se a criticar e queixar ou daquele que enfrenta as vicissitudes de cada dia lutando contra elas numa perspectiva de mudança? Uma mudança só possível num optimismo da vontade.
“Coragem é levantar da cama todo dia  mesmo sabendo que seria infinitamente melhor ficar ali, deitado.” (Renato Russo)
Sim, é preciso coragem para enfrentar as adversidades de cada dia, é preciso coragem para enfrentar o insuportável, é preciso coragem para resistir às mil tentações dos pequenos atos de covardia, é preciso coragem para sair da prisão da infelicidade… É justamente porque existe sempre a possibilidade da infelicidade que é necessário coragem e vontade para ser o mais feliz possível.