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sábado, 19 de maio de 2012

Errar


"Os erros são os portais da descoberta."
James Joyce

"De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade."
Sigmund Freud

“Muitos dos fracassos da vida acontecem a pessoas que não se apercebem do quão próximo estiveram do sucesso antes de desistir.”
Thomas Edison


Encaramos, geralmente, o erro como um fracasso, mas o erro deve ser perspetivado como o resultado de um processo experimental inerente a qualquer aprendizagem, a qualquer descoberta. Podemos mesmo dizer que a aprendizagem, a descoberta, começa com o erro.
 “Errar é uma etapa do inventar, falhar são degraus do criar.” Um erro de Fleming (ter deixado a lâmina de cultura sem protecção no laboratório) levou-o à descoberta da penicilina, a qual inaugurou uma nova era na indústria farmacêutica. Roentgen descobriu o raio x pelo seu descuido no manuseamento de uma placa fotográfica… Os exemplos são infinitos, mas para que o erro seja transformado em algo instrutivo e propiciador de uma efetiva aprendizagem há que estar consciente dele, do seu significado e do caminho para a sua superação.
Deixamos-vos algumas perguntas que podem ajudar nas etapas deste nosso percurso de erros, de permanente aprendizagem e crescimento:
- O que tentei eu concretizar?
- Porque não resultou?
- Serei capaz de identificar alguns aspectos bem sucedidos desta experiência?
- Que lições aprendi?
- O que farei de diferente na próxima vez?



domingo, 6 de maio de 2012

A bondade humana


“Para odiar, as pessoas precisam aprender,
e se elas aprendem a odiar,
podem ser ensinadas a amar,
pois o amor chega mais naturalmente
ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta,
jamais extinta.”
Nelson Mandela

Dieter Telemans/Panos Pictures

Sabia que um bebé de um ano, que acaba de aprender a andar, vai espontaneamente em socorro de alguém que vê em dificuldades? Sabia que aquando de uma catástrofe natural, as pilhagens e violência são grandemente superadas pelo altruísmo e solidariedade? Sabia que o nosso cérebro contém zonas de satisfação que se activam quando somos generosos e zonas de insatisfação que se activam quando somos confrontados com uma injustiça? E se, ao contrário do que tem sido repetidamente afirmado, a violência e o egoísmo, que existem incontestavelmente, não correspondessem à nossa natureza profunda?

É justamente esta a tese que Jacques Lecomte defende no seu último livro "La bonté humaine". O egoísmo e a violência existem, mas não correspondem à natureza profunda do homem. O ser humano tem potencialidades para a bondade e para a crueldade, sim, mas tudo depende daquelas que alimenta. Ao longo das páginas deste livro tomamos consciência de que muitas das nossas certezas sobre a violência e o egoísmo são fundadas em afirmações sem provas, muitas vezes, em rumores. La bonté humaine apresenta-nos exemplos inspiradores como o de Primo Levi deportado em Auschwitz. Se a violência surge como um dos grandes temas do livro de Primo Levi “É isto um homem?” num relato pungente e perpassado por um horror quase inacreditável, Levi conta-nos também que em Auschwitz, quando trabalhava numa fábrica de borracha, a cada dia, durante seis meses, um operário italiano lhe levava um pedaço de pão na sua marmita. 
“Creio que é justamente a Lorenzo que devo estar vivo hoje, não pela sua ajuda material, mas por me ter constantemente recordado, pela sua presença, pela sua forma simples e fácil de ser bom, que ainda existia um mundo justo, coisas e seres ainda puros que nem a corrupção, nem a barbárie haviam contaminado. Algo indefinível como uma longínqua possibilidade de bondade pela qual valia a pena viver. Lorenzo era um homem: A sua humanidade estava pura e intacta. É a Lorenzo que devo o facto de não me ter esquecido que eu, também, era um homem.”

Se a nossa essência não fosse a da generosidade, cooperação e solidariedade, a nossa espécie já teria desparecido, consumida pela violência e pelo ódio.
Van Gogh (imagem retirada da net)
 
"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes.
Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É a nossa luz, não a nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Perguntamo-nos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso? Considerar-se o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de si.
E à medida que deixamos a nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".


(Discurso de posse, em 1994)
Nelson Mandela