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sábado, 18 de junho de 2011

Uma pausa por aqui

Estamos a chegar ao fim do ano lectivo e entrar noutra fase: a dos exames, formações, relatórios... Precisamos mesmo de fazer uma pausa por aqui. Uma pausa que abrangerá, provavelmente, as nossas férias também. E assim, com uma imagem de Richard Kolker e um poema de Silvia Zurdo, desejamos, a todos os que por aqui passam, umas BOAS FÉRIAS. Que cada um dos vossos dias seja vivido momento a momento, na intensidade do vosso coração. Até à volta!



"Quando me levanto não vejo o relógio.
Não importa a hora e isso é genial. 
Ponho o meu chapéu e protector solar. 
Rio para a manhã e ponho-me a cantar.

Para estas férias vou experimentar
Abrir os sentidos à imensidade.
Saborear cores e assim desfrutar
De cada perfume em qualquer lugar.

Contarei as estrelas, os sóis e as luas...
Mil formas nas nuvens eu descobrirei...
E num papagaio, sobre mares, montanhas,
Preso à sua cauda eu viajarei.

Aspirando o aroma fresco desta terra verde
Com as sombras a protegerem os meus jogos, 
Terei dias de plácido sossego
Para encontrar o que nunca se perde."



sábado, 11 de junho de 2011

Bom domingo e boa semana!

"Se não encontras a calma, aqui e agora, onde e quando a encontrarás?"
Mestre Dogen

Porque corremos?



Vivemos numa sociedade que parece medir o valor de cada um de acordo com a sua produtividade/acumulação de actividades. Medimos, em geral, o nosso valor tendo como padrão o nosso grupo de referência: Se tem uma casa no campo, um todo o terreno, segue uma dieta biológica, faz yoga, fala inglês fluentemente, vai de férias para um país exótico, actividades extra-curriculares dos filhos… Devemos estar ao seu nível e para isso há que correr.

David Servan-Schreiber relata-nos a sua estupefacção ao ouvir as palavras de Kalson, um órfão tibetano, que conhecera em Dharamasala, no norte da Índia, num dos campos que acolhiam os refugiados tibetanos. Kalson não sabia o que era o stress! Como era possível?

Na altura em que o conheceu, já Kalson era director de uma escola de milhares de crianças, entre as quais centenas de órfãos como ele. Abandonara a sua terra natal quando tinha oito anos escapando aos guardas da fronteira chinesa. Graças a uma bolsa internacional tinha passado dois anos nos EUA a frequentar um curso de Ciências da Educação. Contava Kalson: “Vivi com estudantes americanos. Fizéssemos o que fizéssemos, nunca era suficiente. Se estávamos no supermercado tínhamos que andar depressa para regressarmos à residência e fazermos os deveres. Se estávamos a trabalhar tínhamos que acabar o mais rapidamente possível porque viriam uns amigos ver um programa de TV. Se estávamos a ver o programa, os locutores diziam que o verdadeiro evento seria no próximo e que deveríamos começar a preparar-nos para o que viria…”

No campo de refugiados, Kalson conhecera a falta do bem mais essencial que é a água, mas não conhecera o stress. Não precisara correr para que o reconhecessem, pois sabia que o valorizavam pelo que era, sem ter de fazer nada mais. Talvez devamos parar e reflectir até que ponto aquilo que fazemos é, ou não, para nos sentirmos reconhecidos, valorizados. Lembremo-nos que o único juízo que importa quando chegarmos ao fim dos nossos dias é: Soubemos amar e ser amados? Soubemos estar de corpo e alma em cada momento, ou a pensar no que íamos fazer no momento seguinte? 

Fonte: David Servan-Schreiber, "O preço do reconhecimento"