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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

As palavras

História hassídica na versão de Christiane Singer:

"Um pobre velho ora com fervor: O rabino aproximando-se apercebe-se de que ele recita o alfabeto e surpreende-se. Dirige-se ao homem: "Que é que recitas?" E o outro: "Sabes Rabbi, sou um pobre homem sem grande instrução, sem grande inteligência e tenho medo de desagradar ao meu criador. Por isso ofereço-lhe todas as letras do alfabeto para que ele se sirva delas e componha ele a oração que gostaria de escutar."



As palavras podem ferir ou curar, alegrar ou entristecer, aliviar ou angustiar, desmotivar ou incentivar, ridicularizar ou apoiar, fechar ou portas abrir...
Poder imenso o das palavras! Mas é também na forma de as juntar que está a sua magia. É a forma de as ligar, de trazê-las à frente, ou atrás, de não dar demasiada atenção a umas em detrimento de outras, de não as atropelar, de criar espaços entre elas, de as unir em comunhão. É então que as palavras nos abrem caminhos. Somos como as palavras e, tal como elas, podemos mudar, ligarmo-nos de formas diferentes e abrir novos  caminhos. 
Nota: Este post surgiu na sequência do reenvio do vídeo acima e da leitura das últimas palavras do blogue Coração de Professor, palavras que nos preenchem de magia e inspiram o nosso caminhar.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Kshanti Paramita

“Imagine que você tem uma tigela de água e que alguém coloca uma mão cheia de sal na água da tigela; ela tornar-se-á, então, demasiado salgada para beber. Mas imagine que alguém tenha jogado uma mão cheia de sal num rio limpo de montanha. O rio é profundo e largo o suficiente para você poder tomar a água sem que ela pareça salgada.
Quando o seu coração é pequeno você sofre demais. Mas quando o seu coração se torna maior, muito grande, a mesma coisa já não o faz sofrer tanto. Assim, o segredo é ajudar o seu coração a crescer (...)
 Ajudar o coração a crescer, kshanti paramita, é a capacidade de abraçar todo o mundo, tudo, você não exclui ninguém (…)
A prática da inclusão consiste em ajudar o seu coração a tornar-se maior, maior e maior.”
Thich Nhat Hanh



Parar, escutar, ver, sentir, encontrarmo-nos por inteiro num grande coração. Porque "o Mundo  está cheio de histórias, mas as histórias são todas uma só." 
É esta a mensagem que me fica deste vídeo de uma querida amiga. Muito obrigada Joana por ajudares o nosso coração a crescer!
 Teresa


domingo, 18 de setembro de 2011

BOA SEMANA!

Porque, como diz François Cheng, "o estado supremo da beleza é a harmonia", porque relembrámos Rarindra Prakarsa ao ler o último post da Sónia, porque quando entramos no mundo da arte abrimos o nosso coração num envolvimento dos sentidos, desejamos-vos uma BOA SEMANA com vários poemas visuais:


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O nosso melhor brinquedo

"A mente é um lugar em si mesma. Pode fazer do céu um inferno e do inferno um céu."
John Milton


http://www.ted.com/talks/paul_bloom_the_origins_of_pleasure.html

"O nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: Nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade."
Charles Chaplin

"Um dia, no princípio dos tempos, alguns demónios reuniram-se para fazer uma diabrura. Um deles disse: “Estava a pensar que poderíamos tirar algo aos humanos, porém... O quê?”
Depois de muito pensar, um deles respondeu: “Já sei!, poderíamos tirar-lhes a felicidade... Porém, claro, o problema será onde escondê-la, para que não possam encontrá-la”.
Propôs o primeiro demónio: "Vamos escondê-la em cima do monte mais alto do mundo...!”
...do que imediatamente discordou um outro: “Não, lembra-te que eles têm força e vontade. Algum dia, alguém poderá subir e encontrá-la, e se um a encontra, pronto! Todos saberão onde está".
Logo propôs outro: "Então, vamos escondê-la no fundo do mar!”.
E outro contestou: "Não, lembra-te que eles têm curiosidade. Algum dia, alguém construirá algum aparelho para poder baixar até o fundo e, então, encontra-la-á".
Um outro deles disse: "Escondamo-la num planeta longe da Terra!".
Disseram-lhe: "Não, lembra-te que eles têm inteligência. Um dia, alguém construirá uma nave para viajar para outros planetas e, então, descobri-la-ão".

Um dos demónios tinha permanecido em silêncio, escutando atentamente as propostas.

Então, disse: "Creio saber onde devemos colocá-la para que nunca a encontrem". Todos o olharam e perguntaram ao mesmo tempo: “Onde?".
“Escondamo-la DENTRO deles mesmos... Estarão tão ocupados a procurá-la fora que nunca a encontrarão".

Todos ficaram de acordo e, desde então, sempre tem sido assim."

Autor desconhecido

sábado, 10 de setembro de 2011

Praticar o não julgamento

 
Julgar, à partida, é fazer uma distinção: Identificar aquilo que sou e aquilo que é o outro, aquilo que nos é semelhante e aquilo que nos distingue. O julgamento representa a constante avaliação das coisas como certas ou erradas, boas ou más. Quando se está sempre a avaliar, a classificar, a rotular, a analisar, cria-se uma imensa turbulência no nosso diálogo interior, como nos diz Deepak Chopra. 
Os nossos julgamentos criam, de facto, uma grande desestabilização: Quanto mais repetimos que o nosso filho é desobediente, mais nos irritamos, quanto mais alimentamos o pensamento de que o mundo é injusto, mais nos perturbamos.
O julgamento, seja positivo ou negativo, remete para uma vulnerabilidade emocional e afectiva, para feridas narcísicas. Se não tivéssemos sido submetidos ao julgamento, não julgaríamos os outros e não julgaríamos a nós próprios.
No coração do julgamento, o ego ávido de reconhecimento está sempre lá: “O que é que eu valho?” Quanto mais julgo o outro, mais duvido do meu valor.
Se encararmos o julgamento como a nossa parte de sombra, de sofrimento, de fragilidade, ele transforma-se num convite a ver mais de perto aquilo que grita ou chora em nós.
O não julgamento é uma chave para melhor se amar e melhor amar os outros, fazer silêncio em nós para nos tornar disponíveis aos outros. Exige não somente o controle da palavra e dos pensamentos, mas também a estabilidade das emoções e aceitação da realidade tal como é. Os seus grandes obstáculos são a dificuldade em aceitar a alteridade e também a impossibilidade que sentimos em escutar verdadeiramente o outro.
Praticar o não julgamento é libertarmo-nos das nossas prisões mentais e pacificar o nosso coração.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Criatividade - ecologia humana

É com as palavras de David Servan-Schreiber que retomamos o tema da criatividade, já aqui abordado. David Servan-Schreiber deixou-nos no dia 24 de Julho vencido pelo câncer que combatia há 20 anos. Com a sua obra-testamento “antes de dizer adeus” (On peut se dire au revoir plusieurs fois) este neuropsiquiatra deu-nos mais um presente de conforto e optimismo.  
Como grande propósito deste novo ano lectivo, que começa, deixamos-vos a sugestão: Reinventarmo-nos, religarmo-nos a cada momento.


“Há uma bela imagem no romance Vendredi ou les Limbes du Pacifique. Michel Tournier fala do crânio de um búfalo suspenso de uma árvore, que deixa passar uma música quando o vento passa através dele. Quem produz a música: o crânio, o vento, ou o encontro dos dois?
Acontece o mesmo com a criatividade: cada um de nós, no decurso da vida, das experiências, é como este crânio de búfalo através do qual sopra a vida, gerando uma melodia perfeitamente inédita. Que sentimento de júbilo ao perceber que não é necessário ser artista para viver a vida como um processo criativo!
O que aprendi de essencial nos últimos vinte anos da minha carreira científica, é também a maior descoberta da ecologia moderna: trata-se da ideia simples e fundamental de que a vida é a expressão das relações no seio de uma rede, e não uma série de objectivos pontuais perseguidos por individuos distintos. É tão verdade no que respeita a formigas, girafas, lobos como a seres humanos. Pela minha parte, foi através das minhas relações com todos os que se apaixonam por estas ideias de ecologia humana que tive a sorte de exprimir a minha criatividade e de contribuir para a comunidade.”
David Servan-Schreiber

domingo, 4 de setembro de 2011

A rentrée



Chegou o momento em que temos de voltar ao rodopio dos horários, cortar com o doce descanso dos dias sem relógio. Um corte que visualizamos, em geral, nos nossos pensamentos, com alguma rejeição e vontade de adiar. No entanto, ele é-nos imposto e... ainda bem! Porque se este momento não nos fosse imposto talvez nos mantivéssemos ad eternum num dolce far nienti. É preciso partir para outro ciclo renovado. Entrar na realidade e arriscar. Arriscar um mundo de possibilidades e inventarmo-nos a cada dia. Vamos! A praia está longe, o campo do infinito está aí. "JUST DO!"
Boa rentrée, boa semana!

Nota: Para este novo começo deixamos-vos a sugestão de um filme: "Beginners" ("Assim é o amor"). A não perder, mesmo.




quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Vamos dançar?



A dança liberta-nos: Une o eu solitário à comunidade. Transforma o espaço e o tempo. Uma terapia para o corpo e para a alma. Vamos dançar?