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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Histórias




As histórias ajudam a conhecer-nos melhor, possibilitam-nos uma orientação, permitem-nos dar uma ordem a acontecimentos da nossa vida, revelam-nos, enfim, a nós próprios e aos outros. Na opinião de Sacks, o homem mentalmente saudável é aquele que consegue contar a sua história. Sabe de onde vem, onde está (a sua identidade) e crê saber para onde vai (tem projectos). Como nos diz Margarida Pedroso de Lima no seu livro "Posso participar?" algumas das histórias que contamos são pessoais e outras são partilhadas, fazendo parte do espólio cultural de um determinado povo ou cultura. Por esse motivo é que muitas das histórias mais belas (lendas, contos, mitos) não pertencem a ninguém e estão envoltas em segredo. Milhares de histórias sobreviveram a guerras e derrocada de impérios. O poder das histórias é-nos revelado, por exemplo, pelo conto das mil e uma noites, em que as histórias além de encantarem, podem libertar da morte e curar. 
Abrem-nos caminhos as histórias e hoje, deixamos-lhe como sugestão escrever uma história na qual será você o héroi e tudo será possível. Conceber através da escrita aquilo que mudaria na sua vida, se concretizasse os seus desejos, é dar o primeiro passo para os realizar.

Nota de 11/2/2011
Noutra linda coincidência da blogosfera  (a Marta não sabia da nossa existência) depara-se-nos o post "Encantamentos mágicos" que nos fala da magia das histórias de encantar. E nós lembrámo-nos das palavras  de Bruno Bettelheim sobre a importância dos contos de fadas. Segundo este autor não existe nada mais enriquecedor e satisfatório, quer para  a criança, quer para o adulto, do que o popular conto de fadas. A mensagem que os contos de fadas trazem à criança por múltiplas formas: que a luta contra graves dificuldades na vida é inevitável, faz parte intrínseca da existência humana, mas que se o homem não se furtar a ela e com coragem e determinação enfrentar dificuldades, muitas vezes inesperadas e injustas, acabará por dominar os obstáculos e sair vitorioso. A criança precisa muito de sugestões, em forma simbólica, sobre como lidar com os obstáculos para chegar sem risco à maturidade.
Por muito pouco tempo que tenhamos, seria bom reservar um pouquinho só  para manter (ou retomar) com alegria  a tradição de contar histórias de encantar. Encantarmo-nos e encantar.

4 comentários:

  1. E este vídeo com uma linda música remete-me a um feliz passado; contém lindas histórias esta aquarela! Um long play de vinil que fazia as delícias do meu filho André de 34 anos e mais tarde as da minha filha; conservo até hoje essa aquarela...o vinil contiua pronto a contar mais histórias, em cima daquele aparelho em desuso mas guardado com muito carinho: um dia o André vai continuar a contar aos filhinhos dele a linda história começada há anos numa ciadezinha pequena do Brasil; cidade pequena...com um nome estranho, Guaratinguetá; dfícil de ser pronunciado, mas com um significado belíssimo; é linda a cidade onde nasceram os meus filhos, onde vivemos histórias lindas, onde outras aquarelas foram pintadas; foi chamada pelos indígenas de Reunião de Garças Brancas.
    Emocionei-me ao ouvir esta aquarela...as lágrimas correram dos olhos do André quando há tempos recordou nesta aquarela a sua história de vida em Guaratinguetá...chorará um dia quando o vinil voltar ao seu lugar e mostrar ao Lucas e à Eduarda as lindas cores desta aquarela; velhinho...voltará o vinil ao seu armário onde é guardado com todo o cuidado; sei que estará sempre pronto para continuar, nas mãos dos meus netos, a linda história começada há anos...história que, se quiserem, continuará, pintada numa aquarela ou escrita num lindo caderno amigo que, espero, não será esquecido num canto qualquer.
    E assim se revivem vidas, se recordam histórias: foi para mim um momento maravilhoso...um retorno ao passado...uma história que continua a ser contada.
    Não tenho palavras para lhes agradecer este momento...não basta o beijo que lhes deixo... acrescento a ele a minha grande amizade.
    Emília

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  2. E que felizes ficámos com essa sua volta a um passado tão cheio de cor. Nós é que agradecemos todo o carinho com que nos acolhe. Um fim de semana pleno das lindas cores que só a aquarela nos pode pintar. Abraço grande

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  3. Que bonito que foi ouvir e ver a Aquarela e ler os dois textos sobre as histórias e o grande desafio de as manter, de as contar e de as imaginar!
    Gostei tanto!...
    ... e tanto que me emocionam ainda as histórias de encantar... ou mesmo todas as histórias!
    Muito, muito obrigada.
    Foi um momento maravilhoso!
    Beijinho reconhecido,
    Isabel

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  4. Isabel
    É realmente um desafio manter esta tradição. Acabei de ler uma entrevista do Colin Firth (o actor do filme "O Discurso do Rei" - um filme absolutamente a ver) em que nos diz que a cena em que o futuro rei conta histórias às duas filhas pequenas foi tirada da sua vida: ele manteve a tradição de contar histórias às crianças. E tudo começou no momento da sua carreira em que estava sempre longe. Percebeu que a melhor maneira de captar a atenção das crianças era mandar uma cassete gravada com uma história. Comenta ele que já o avô fazia o mesmo e ele lhe pedia até à exaustão histórias e mais histórias. Pedia a outras pessoas e muitas vezes estas diziam "Agora não!" ou "mais daqui a bocado". Inventar histórias implica uma grande disponibilidade. Mas depois, quando se sentavam acontecia o encantamento: O adulto inseria a criança na história e ela ficava instantaneamente pendurada na narrativa.
    A falta de tempo para este ESTAR verdadeiramente tem levado a que esta tradição vá dando lugar à visualização de filmes e vídeos. Mas creio que nada se compara a uma história contada no afecto dos corações. Um desafio, portanto, retomar esta tradição. Um desafio e uma inspiração tal como se sente neste lindo conto que a Alexandra postou, não é?
    Teresa

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