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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Generosidade



"AGRADEÇA ASSIM QUE DÁ

Aprenda a sentir o prazer que existe no facto de dar. E agradeça, interiormente, o  beneficiário da sua generosidade, pois ele permite-lhe, sem o saber, fazê-lo entrar com a melhor parte de si mesmo. Aquela que dá sem se sentir desapossada, aquela que tem a consciência da infinita riqueza da troca e da partilha."



Muitos são os que encaram os comportamentos generosos com desconfiança e consideram as demonstrações públicas moralistas e sentimentalistas. O amor ao próximo - a capacidade para assumir a vulnerabilidade dos outros e, por conseguinte, também a sua - é visto como um sinal de fraqueza. No entanto, a dedicação ao próximo é um sinal de força e uma das fontes de maior fortalecimento que podemos experimentar. Das mais gratificantes também. Segundo Donald Winnicott, "um sinal de saúde mental é a capacidade de nos imaginarmos a entrar de forma precisa nos pensamentos, sentimentos, esperanças e medos de outra pessoa e permitirmos que o outro faça o mesmo connosco." A capacidade de entrar na pele do outro é um dos melhores indicadores de bem-estar, o reflexo do prazer da existência. Poderão, então, alegar que o amor ao próximo é uma forma de narcismo disfarçado. Que seja! Como diz Francis Hutcheson "Se é amor em si mesmo deixá-lo (...) não há nada melhor, nada pode ser mais generoso" ou ainda, citando Rousseau, no seu "Emílio", só uma criança que se trata bem e gosta de estar viva "procura expandir o seu ser e diversão" a outros.

2 comentários:

  1. " O amor ao próximo é uma forma de narcisismo disfarçado ".Pode ser...pode até ser considerado um acto egoista, mas egoísmo não é necessáriamente um sentimento negativo; primeiro nós temos que pensar em nós, no nosso bem estar, na nossa felicidade, pois só assim podemos dar alguma coisa aos outros; se não gostarmos de nós mesmos como poderemos gostar dos outros? Claro que se pensarmos só em nós para benefício exclusvamente nosso, aí, sim, estamos a ser egocêntricos e isso é mau. Se não nos tivermos enriquecido em todos os aspectos como poderemos enriquecer a vida dos outros? Ninguém pode dar aquilo que não tem, por isso há que tratar primeiro de nós para podermos depois cuidar dos outros.
    " Encaram os comportamentos generosos com desconfiança"; até se costuma dizer: " quando a esmola é grande demais até o santo desconfia"; isso de facto acontece às vezes; qualquer um de nós conhece casos em que pessoas se aproximam de nós com extrema simpatia, atenção, mimos, uma preocupação a que não estamos habituados; agrada-nos isso, mas depois vemos que não eram sentimentos sinceros; a mim aconteceu-me já um caso desses; durante um ano confiei e não achava estranho tanto carinho, atenção desmedida, mas, mais tarde, veio-se a verificar que não havia nada de generoso neste comportamento. Claro que são poucos estes casos e não devemos generalizar; é pois que entra a nossa generosidade; devemos procurar entender os motivos dessas pessoas e depois desculpar; procurei e entendi o que se passou; claro que não passei a achar que a pessoa fez bem; não foi um comportamento correcto de certeza, mas,depois que percebi a mágoa passou; nunca mais a vi, mas, se a encontrar, terei uma atitude normal Foi um acto generoso,tê-la entendido, desculpado, mas a maior generosidade foi para mim mesma, pois já há muito percebi que sentir mágoa e raiva não me faz bem; aqui está de novo o que parece narcisismo, mas, entendendo que as mágoas me prejudicam, mais facilmente consigo não magoar os outros. Somos tentados a achar que ser generoso é dar bens materiais aos que precisam, mas é muito mais que isso; dar aquilo que já não tem utilidade para nós é fácil, difícil é pormo-nos na pele dos outros, entendê-los, não julgar, desculpar os actos que nos magoaram,que até nos causaram grande sofrimento; uma boa conversa muitas vezes resolve todos esses atritos e as mágoas vão-se embora tanto de um lado como do outro. Isto é GENEROSIDADE! Para mim é a maior delas e também a mais difícil de pôr em prática. Parabéns pelo tema! Neste ano Europeu do voluntariado precisamos, mais do que nunca, de falar nesta virtude e foi a pensar nela que finalmente me decidi e já me inscrevi; no próximo dia 25 irei fazer uma formação para ser voluntária. A vocês agradeço a GENEROSIDADE de chamarem a atenção de todos nós para esta acção tão necessária nos dias de hoje e de terem contribuido para a minha decisão. Um beijinho
    Emília

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  2. Subscrevo tudo o que disse Emília. Por isso considero a generosidade uma força e uma fonte de fortalecimento: Se nos sentimos fragilizados, infelizes, fechamo-nos no nosso casulo, na nossa dor. Inversamente, quando nos sentimos bem abrimo-nos, vamos ao encontro do outro. Uma pessoa que muito admiro considera a alegria como o sentimento mais solidário que existe e eu sou da mesma opinião: Quando estamos alegres temos pensamentos de companhia e contagiamos os outros. Só o nosso bem estar permite uma abertura ao mundo. Por sua vez, esta abertura traduz-se na generosidade/solidariedade que acabam por constituir, em si, uma poderosa fonte de bem-estar. Uma bola de neve, portanto. E que melhor bola de neve, esta da generosidade? Eu é que lhe agradeço Emília esse seu dar-se, essa generosidade que revela e nos fortalece. Um feliz resto de domingo
    Teresa

    Nota: Fiquei muito contente com a sua inscrição, sobretudo, porque é sinal de que já se sente mais forte interiormente. Que bom, Emília!

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