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sexta-feira, 25 de março de 2011



ENTARDECER (em silêncio)

O movimento do fim do dia recomeça.
É isto a vida? É isto viver?
Trabalhar, comer, dormir, curtir?
Dentista, médico, analista?
Cabeleireiro,boutique, tabacaria?
Carro, autocarro, barco, comboio?
A correr, parado,à espera, a desesperar?
Barulho, apitos, motores, gritos?
Jornais, revistas, folhetos?
Passes, bilhetes, multas?
O corre corre.
O nunca pára.
O mais depressa.
O chegar e o partir.

Entardecer no breve instante em que ficamos (em silêncio).

Alexandra Pelágio, 1982

3 comentários:

  1. Que saudades!!! Linda música que será eterna. Nunca tinha prestado atenção à letra. Temos que ouvir o som do silênci; só assim conseguiremos escutar o nosso coração e seguir o que ele nos diz; é preciso, como diz a música que comecemos a escutar e não simplesmente ouvir; é dificil com tanto barulho à nossa volta, mas há sempre um tempinho para nos dedicarmos ao silêncio. Um beijinho e obrigada por nos trazerem esta linda música que me leva atrás à minha adolescência, esta e tantas outras deste grupo. Um bom fim de semana


    Emília
    Emília

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  2. Linda esta música...
    ... e tão verídico o poema!
    De facto que fazer perante este ritmo, esta alucinação que nos enebria e nos rouba o melhor de nós próprios e nos coloca tão difícil e tantas vezes, ou mesmo a maioria, fora de alcance o necessário silêncio... para a descoberta de tanto que necessitamos e a procura e encontro da paz que desejamos?
    Lindo o poema... o dos Simon & Garefunkle, e o da Alexandra Pelágio.
    Obrigada uma vez mais
    Abraço Amigo
    Isabel

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  3. É realmente difícil escutar quando rodeados de ruído. Interfere com a comunicação connosco e com os outros. Hoje em dia é quase impossível estar em qualquer lugar público onde não tenhamos música, tv's ligadas, telemoveis ou pessoas que falam como se ninguém estivesse presente. Penso que o silêncio assusta a maior parte das pessoas. Penso que o ruído é uma forma de evitação do outro e de nos escutarmos a nós próprios também. Tipo pretexto.Às vezes nesses sítios sento-me como num meio de um arrastão incontrolável. Confesso que quando era mais jovem o barulho servia para me evadir e atravéz do som erguer uma muralha à minha volta, provocar os outros.Mas era uma opção e podia escolher. Hoje limito-me a colocar a música muito alta quando ando nas tarefas domésticas para que chegue à casa toda e abafe o som do aspirador e, no fim, sentir o prazer das tarefas realizadas e o silêncio. E, tal como a minha mãe me gritava, porque de outra forma eu não a ouviria, para por a música mais baixo, eu faço o mesmo com o meu filho,que senão o fizer tem tarefas domésticas à espera. Tudo em nome do silêncio.( e da limpeza sonora do lar). Alexandra

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