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sexta-feira, 11 de março de 2011

A culpa é do baton

A CULPA É DO BATON

Olá amiga. Apetece-me comentar o teu post, mas não sei se o que sinto para escrever será adequado ao inesperado trágico do texto e, perdoem-me, ao paradoxo do tragicamente belo. De repente, o disparate, necessário às sextas feiras. ( se tivesses skype podias confirmar via camara), fui colocar baton. É raro fazê-lo. Em mim, não gosto. Quando o faço é quase por achar que tenho de seguir os passos todos da maquilhagem ou porque amigas me dizem que tem de ser. Quando coloco baton, sinto-me artificial. Parece que se me rir ele se vai espalhar e revelar uma máscara que não é o meu rosto. Parece, não, acontece mesmo, que não beijo nem me deixo beijar, porque aquilo é pegajoso e, mais uma vez, me desarranja a pintura. E ,contudo, depois de ler o texto, aqui estou, inesperadamente de baton para responder a um post. Sei que não estou louca, porque acabei o meu dia de aulas a ver o filme "Voando sobre um ninho de cucos" e, só se me fizerem uma lobotomia é que me impedem de dizer que estou mentalmente sã, porque esperadamente louca. Como a Emília dizia noutro dia, desculpem se me estou a expor; como a Isabel escreveu no blog dela num texto de amor ao marido, não é todos os dias que nos abrimos desta forma e....afinal se for do baton? Sim, deve ser...Está decidido. A culpa é do baton. ( e um pouco de um livro que li há anos que se chama a "Loucura da Normalidade") Se o baton devolveu àquelas mulheres a sua humanidade, hoje, inesperadamente, neste disparate pegado, devolve-me a minha saudável insanidade. As recordações de infância em que todos roubamos os batons das mães e nos transfiguramos sem receio de borrar a pintura. Eramos belas e crescidas. Eramos pessoas a sério e não apenas projectos de pessoas.

" As consequências que o acaso" do teu post me trouxe foi relembrar a HUMANIDADE de todos os que passaram (e passam) por campos de horror, é relembrar-me de pequenos gestos, por vezes quase incompreensíveis, mas que têm efeitos extraordinários, que todos podemos fazer, a sós ou em grupo. Para nós ou para outros e/ou com os outros. O coronel Mervin deve ter iniciado uma corrente depois de ter observado o inesperado; tal como as autoras do livro Positiva-mente; tal como tu, agora. Obrigada. Alexandra

3 comentários:

  1. Agora fiquei um pouco mais tranquila...é que eu detesto baton; fui " obrigada" pela minha filha a usá-lo no casamento do meu filho e em outras poucas ocasiões, mas, digo-te...que martírio...parece que nem sabia fechar a boca; e o lápis e sombra nos olhos? outro tormento...parece que logo de seguida alguma coisa faz o favor de entrar nos meus olhos e lá vou eu, esquecida da maquillagem, estragar tudo; enfim...sei o bem que fez às pessoas do texto, sei da importância que tem para muitas mulheres, mas, por favor...baton para mim, não; se tiver que ser, que venha acompanhado de uma toalhita para que, logo que possa, limpar tudo. pois é...e aqui está um momento inesperado que me fez rir. Muito obrigada, pois hoje vou dormir descansada; afinal não sou nenhum bicho raro. Um beijinho e um bom fim de semana
    Emília

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  2. Emília: Ainda bem que nos entendemos e que não fazemos parte dos bichos raros, embora haja algum fascínio em sermos únicos...e como hoje se comprovou, um pedacinho de baton, inesperadamente, pode fazer milagres no nosso bem estar. Tem é de ser assumido como o sentimos verdadeiramente. Alexandra

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  3. Querida Alexandra...para mim baton, só do cieiro... alguns com alguma cor é certo... mas suave por favor!
    Mas confesso que me tenho esforçado com várias tentativas também, de usá-lo... mas de cada vez que o uso, sinto-me... ao contrário de beneficiada,incomodada, precisamente porque com o baton não me sinto eu, como com outras pessoas como a minha sogra (sempre impecável)que, ao contrário não reconheço sem ele!
    Estou consigo.. e com a Emília também... e sorrio. Ah, graças a Deus não sou um bicho raro. Brinco. Sei que não.
    Ao contrário, outros pequenos toques de disfarce ou realce que a "pintura" possa emprestar, fazem-me sentir melhor, mas sempre suficiente simples para me poder "borrar" à vontade, o que geralmente acontece...mas em mim, parece já fazer parte, no velho risco nos olhos que lhe emprestam um contorno que, mais ou menos preciso, por lá fica até se apagar.
    Gostei tanto, tanto do seu texto...
    ...mas tanto, tanto... e a ligação que fazem a estes pequenos grandes pormenores da vida com que vivemos, ou outros viveram, memso que trágicos, mas a que muitas vezes não damos valor!
    A Teresa tem toda a razão quando diz que a Alexandra escreve maravilhosamente... e das suas palavras sente-se uma presença muito forte e atenta, viva e inteira... profunda e límpida... cheia de cor, que todos gostamos e precisamos que partilhe connosco, porque ficaremos todos muito enriquecidos. Obrigada. Fiquei deliciada e foi uma optima forma de começar o dia para quem anda um pouco zanzada e zangada também.
    O Optimismo em construção é mesmo uma equipa maravilhosa... e ter uma equipa assim é fantástico!... e para nós usufruir do que em conjunto partilham connosco é um verdadeiro privilégio.
    Obrigada à Alexandra, hoje... ao optimismo em construção, sempre.
    Obrigada pelo incentivo que me leva a perder o medo de me expor e a pedir-me a mim mesma que cada vez seja mais eu, sem medo.
    Sempre,
    Isabel

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