Follow by Email

domingo, 22 de janeiro de 2012

"Viver mais devagar para existir mais profundamente"

"À medida que se envelhece, vão morrendo os neurónios da ansiedade. A velhice traz liberdade". 
Leonard Cohen



Envelhecer bem significa agarrar firmemente todas as oportunidades da idade: Um apuramento da inteligência emocional e sabedoria, uma “autoplasticidade adaptativa” (que conduz a uma selecção, optimização e compensação como estratégias comportamentais), uma maior segurança em nós mesmos, uma menor impulsividade e influência da ansiedade, uma melhor aceitação das contrariedades, uma capacidade selectiva  na retenção das recordações que estão ligadas a experiências positivas, em detrimento das negativas, reveladora de uma imensa sabedoria emocional.
E depois… a sensação de finitude impede-nos de perder tempo. Este vale agora mais e reclama contra o desperdício.
Esta consciência permite-nos acreditar no grande valor que os idosos representarão nas sociedades do futuro. Como diz Fernando Dacosta “viver-se-á mais devagar, nelas, para se existir mais profundamente, viver-se-á mais despojado para se ser mais equitativo. O avanço que os idosos estão a conseguir é um legado, para quem o souber ver, de acrescentamento, de esperança.”

4 comentários:

  1. "Envelhecer bem significa agarrar firmemente todas as oportunidades da idade:"
    Digo sempre que não tenho medo da velhice, tenho medo sim, de não saber envelhecer. É um aprendizado que tem de começar a ser feito desde já e no meu caso, se calhar já não vai a tempo. Claro que depende muito de nós, aliás tudo depende de nós, mas no caso do envelhecimento, infelizmente há outras circunstâncias que impedem esse "saber envelhecer" Eu penso e vejo alguns casos ( acho que todos conhecem..) que alguns idosos nem se dão conta de que estão a envelhecer; vivem a sua vida, optimizando melhor o tempo, saboreando aquilo que mais lhes dá prazer, fazendo as coisas devagar e com a calma de quem tem todo o tempo do mundo; estes são aquelas pessoas que tiveram a felicidade de poderem continuar integradas no meio onde sempre viveram, trocando a sua sabedoria e experiências com as novidades transmitidas pelos mais novos; tem amigos, reunem-se com eles nos cafés ou nas pracinhas e dá gosto vê-los a rirem e a conversarem; são visitados pelos filhos e pelos netos; não lhes tiraram os afectos e isso dá-lhes força para continuarem jovens, apesar das rugas e dos cabelos brancos; são idosos que se sentem como ainda fazendo parte integrante da sociedade onde vivem, idosos que se sentem como pessoas. Mas agora temos o reverso da medalha...aqueles que foram retirados de suas casas, do convívio social e foram simplesmente " despejados" num lugar onde nem sequer visitas recebem. Há alguns que, mesmo nestes lugares, tentam viver; são pessoas bem dispostas que se divertem e conseguem até divertir os mais agastados, mas infelizmente a maioria deixou de tentar; foram-se os afectos e com eles foi-se a sua vontade de viver. Talvez até eles soubessem envelhecer, mas na maioria dos casos não lhes foi dada essa oportunidade. Por isso, penso que o mais importante é não tirarmos os nossos idosos do meio em que sempre viveram; deixá-los nas suas casas, mesmo sozinhos, enquanto a saúde deles o permitir. Sempre que são colocados num lar, tem que se pagar, pelo menos parte da reforma deles...então por que não utilizar esse dinheiro para colocar uma pessoa que cuide deles? Há muitos que tem dinheiro mais do que suficiente para isso, mas, claro, de vez em quando os filhos teriam de lá ir ver como estavam, ver se era preciso levar ao médico, etc, etc e, claro, não há tempo. No lar estão entregues...não lhes falta nada...tem comida, cuidados de higiene e de saúde; os filhos não precisam de perder tempo. Sempre o tempo...tempo que agora não chega para nada, mas que um dia vai sobrar; vai ser tanto que nem saberemos o que fazer com ele.E é assim a realidade de alguns idosos, Teresa, completamente abandonados e sem qualquer tipo de carinho. Creio que é esta falta de afectos que os envelhece e os leva mais depressa. Um beijinho e parabéns pelo tema. Também postei sobre este ano europeu do envelhecimento activo e já agora lhe digo que não estou muito optimista nos resultados desta iniciativa. Nunca vejo na televisão alusões a este assunto e muito menos campanhas sobre este tema tão delicado. Se não fosse o vosso blog, não teria tido conhecimento. É triste!!!
    Uma boa semana!
    Emília

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Emília
      Há muitas circunstâncias, sim, que impedem o "saber envelhecer". O ser despejado quase como lixo, o ser deixado ao abandono, a discriminação em tantos domínios sociais, o preconceito visível que existe na nossa sociedade, são grandes obstáculos a esta aprendizagem/sabedoria. Mas se começarmos a tomar consciência destes obstáculos e não nos fazermos cegos perante a sua existência já começamos a dar passos no sentido de os ultrapassar, também. A nossa sociedade é extremamente preconceituosa relativamente aos idosos e este preconceito é criado logo na infância. A mudança relativamente a este estado de coisas deverá ser um combate a vários níveis e cada um de nós tem um papel importante na forma de o fazer. Muitas vezes, sem nos apercebermos já estamos a agir de uma forma paternalista e discriminatória. O primeiro passo será, justamente termos essa consciência e depois... agir. Quanto ao Ano Europeu do Envelhecimento, embora também tenha grandes reservas quanto aos resultados não posso deixar de considerar que a sua existência nos motiva a algo, nem que seja à reflexão. Indo ao site http://europa.eu/ey2012/ey2012.jsp?langId=pt vemos que podemos participar de alguma forma e isso é importante. E começam a surgir pequenas luzes. O Instituto do Envelhecimento é uma delas, o surgimento das Universidades Seniors outra. O caminho é longo, mas já foi iniciado. Cabe a cada um de nós abri-lo cada vez mais no afecto dos nossos corações. Um grande abraço e um feliz fim de semana, amiga.
      Teresa

      Excluir
  2. Olá.

    As palavras tem o dom
    de nos engravidar de pensamentos.

    Envelhecer...
    Morrer...
    Renascer...

    Principalmente quando encontramos
    sentidos para os nossos dias.


    Que a chama da alegria
    esteja sempre acesa em ti.

    ResponderExcluir
  3. Envelhecer...
    Morrer...
    Renascer...
    Ao ritmo das estações, cada idade da vida exprime uma nova metamorfose. Tudo recomeça e renasce num ciclo sem fim. Um desabrochar, uma expansão, um despojamento, uma descoberta.
    E... num encontro de sentidos para cada um dos nossos dias, encontramo-nos no verdadeiro ENCONTRO.
    Muito obrigada, Aluísio, sempre.

    ResponderExcluir