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domingo, 29 de abril de 2012

Participar


"Partilhai! Dai! Estendei a mão aos outros!"
Abbé Pierre 

AIC/zefa

"O movimento EMMAÚS nasceu em França, em Novembro de 1949 do encontro entre duas pessoas, Abbé Pierre e um homem desesperado que se queria suicidar". Chamava-se Georges o homem que Abbé Pierre tentou socorrer após uma tentativa de suicídio na sequência de vinte anos de trabalhos forçados a que fora condenado pelo assassínio do seu pai. Este homem desesperado estava decidido a não falhar uma nova tentativa.  Então Abbé Pierre disse-lhe : “A verdade é que não tenho nada, mas mesmo nada, para te dar. Mas tu, uma vez que queres morrer, não tens nada que te atrapalhe: tu és livre. Mas olha, antes de te matares, não queres vir ajudar-me a ajudar os outros?" 
Uma inversão de perspectiva que pode guiar-nos em alturas em que tudo nos parece perdido.  Porque estamos de tal modo habituados à lógica da posse, da propriedade, da necessidade de ter poder, que nos esquecemos que o que verdadeiramente importa são os laços que estabelecemos para o bem comum através da participação preciosa e insubstituível (por menor que nos pareça) de cada um. 

"Não vou dizer, como Malraux, que o século XXI será religioso, ou não será. Mas direi, com toda a certeza, que o século XXI será fraterno, ou não será."
Abbé Pierre

Nota: Ver também  "Só há uma mensagem"
 

4 comentários:

  1. ...mas eu acredito que este sec XXI, apesar de tudo o que vemos à nossa volta, ou precisamente pelo que vemos à nossa volta, pelas falhas que temos cometido como humanidade e continuamos a cometer, cada vez existe um maior despertar da consciência humana para a necessidade de mudança... e de que não se continuem a cometer os mesmos erros... ciclicamente...continuamente.
    Acredito que o crescimento do número de pessoas interessadas nessa mudança, se nos ajudarmos a mudarmo-nos a nós mesmos, estamos a mudar um pouco este mundo e a ser mais e mais fraternos. O Amor tem realmente muita força.... e "comportamento gera comportamento"!
    Mais uma vez, obrigada pela direcção que nos apontam...um exemplo extraordinário, neste post
    Beijinho
    Isabel

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  2. Sim, Isabel, embora por vezes pareça que estamos a distanciar-nos tanto da nossa essência (como dizia a Ana aqui http://boramudaromundo.blogspot.pt/2012/04/love.html) somos testemunhas da força de pessoas (como o Márcio Silva que refiro no Reinventar um Portugal Mais Risonho) que nos redimem e fazem acreditar que caminhamos para um século em que a fraternidade se fará presente.
    "O Amor tem realmente muita força.... e "comportamento gera comportamento" Acredito firmemente nisso, mas também que como nos diz o Professor Miguel Ángel Santos Guerra (recomendo-te vivamente este post http://revisitaraeducacao.blogspot.pt/2012/05/retomamos-alguns-artigos-do-professor.html)a Solidariedade e o Respeito pela Dignidade Humana também se ensinam e a nossa sociedade precisa reaprender a filosofia da cultura Xhosa: "Eu sou porque nós somos".
    Obrigada, Isabel, por SERES.

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  3. Olá Teresa. Por incrivel que pareça,o que a Hermínia postou hoje trata precisamente deste mesmo assunto. Eu acredito que este século será mais fraterno e basta ver o nosso novo blog para vermos que isso está a acontecer, embora ainda precisemos de mais. Como já disse no comentário ao post da Hermínia, somos dos animais, embora racionais, que mais dependemos dos outros tanto ao nascer, quanto na velhice. Não somos como a maioria dos animaizinhos que, quando nascem, logo se levantam e vão sem precisarem de ajuda. Nós não conseguimos fazer isso, portanto temos de nos convencer que não existimos sem os outros nem os outros sem nós. Somos seres sociais e por isso sozinhos não somos nada; sozinhos não SOMOS, simplesmente isso! Portanto para que eu possa dizer " Eu existo " tenho que SER gente e ser gente é ser fraterno,é ter essência, é conviver com os outros com respeito, é partilhar, é dividir, é dar a mão. Portanto o nosso seculo ou será fraterno ou simplesmente não será. Muito bom o tema como sempre. Um beijinho, amiga e fique bem!
    Emília

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    Respostas
    1. E eu dei logo um pulinho na vossa casa para ler o post da Hermínia: Lindo o texto.
      Sim, também acredito na bondade e solidariedade como características da essência humana, aliás acabei de ler um artigo de Jacques Lecomte a propósito do seu último livro "A bondade humana" que reforçou a minha crença e que penso referir no meu próximo post.
      Mas agora deixo-lhe um texto de que me lembrei há pouco (vi num blog já não sei qual há um tempinho) com um grande beijinho.

      " Estamos juntos
      Tenho um amigo meu que andou por terras Africanas alguns anos da sua vida. Sempre que se despede de mim diz-me: "Estamos juntos". Essa expressão que tão calorosamente substitui o nosso um pouco triste "adeus", traz-me ao coração a alegria da união. De facto, mesmo quando não o dizemos, estamos todos juntos. E se para nós é bastante visível o quanto os laços afectivos nos ligam aos outros, acho que falhamos mais no lembrar o que nos liga a quem não conhecemos e como as nossas acções têm consequências directas ou indirectas nas suas vidas. O sorriso que trazemos às 7h da manhã de uma 2ª feira cinzenta num autocarro não menos cinzento, a passadeira que atravessamos e fazemos o carro, já atrasado, parar para nos ceder a passagem; a loja lá do bairro que escolhemos para comprar fruta fresca, ou a comemoração de toda a nação quando a equipa portuguesa chega às finais do europeu. Talvez, neste último caso seja mais fácil sentirmos que fazemos parte de um TODO. Neste caso é de um país. Mas quem fala de país, pode falar do continente, da língua, da natureza, do ser humano ou da vida. Há um "ânimo" próprio da vida que une quem dela privilegia e nos torna únicos neste Todo, pelo qual também somos responsáveis.
      Estamos Juntos!"

      Cecília Mendonça

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