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domingo, 6 de maio de 2012

A bondade humana


“Para odiar, as pessoas precisam aprender,
e se elas aprendem a odiar,
podem ser ensinadas a amar,
pois o amor chega mais naturalmente
ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta,
jamais extinta.”
Nelson Mandela

Dieter Telemans/Panos Pictures

Sabia que um bebé de um ano, que acaba de aprender a andar, vai espontaneamente em socorro de alguém que vê em dificuldades? Sabia que aquando de uma catástrofe natural, as pilhagens e violência são grandemente superadas pelo altruísmo e solidariedade? Sabia que o nosso cérebro contém zonas de satisfação que se activam quando somos generosos e zonas de insatisfação que se activam quando somos confrontados com uma injustiça? E se, ao contrário do que tem sido repetidamente afirmado, a violência e o egoísmo, que existem incontestavelmente, não correspondessem à nossa natureza profunda?

É justamente esta a tese que Jacques Lecomte defende no seu último livro "La bonté humaine". O egoísmo e a violência existem, mas não correspondem à natureza profunda do homem. O ser humano tem potencialidades para a bondade e para a crueldade, sim, mas tudo depende daquelas que alimenta. Ao longo das páginas deste livro tomamos consciência de que muitas das nossas certezas sobre a violência e o egoísmo são fundadas em afirmações sem provas, muitas vezes, em rumores. La bonté humaine apresenta-nos exemplos inspiradores como o de Primo Levi deportado em Auschwitz. Se a violência surge como um dos grandes temas do livro de Primo Levi “É isto um homem?” num relato pungente e perpassado por um horror quase inacreditável, Levi conta-nos também que em Auschwitz, quando trabalhava numa fábrica de borracha, a cada dia, durante seis meses, um operário italiano lhe levava um pedaço de pão na sua marmita. 
“Creio que é justamente a Lorenzo que devo estar vivo hoje, não pela sua ajuda material, mas por me ter constantemente recordado, pela sua presença, pela sua forma simples e fácil de ser bom, que ainda existia um mundo justo, coisas e seres ainda puros que nem a corrupção, nem a barbárie haviam contaminado. Algo indefinível como uma longínqua possibilidade de bondade pela qual valia a pena viver. Lorenzo era um homem: A sua humanidade estava pura e intacta. É a Lorenzo que devo o facto de não me ter esquecido que eu, também, era um homem.”

Se a nossa essência não fosse a da generosidade, cooperação e solidariedade, a nossa espécie já teria desparecido, consumida pela violência e pelo ódio.
Van Gogh (imagem retirada da net)
 
"Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes.
Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É a nossa luz, não a nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Perguntamo-nos: "Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?" Na verdade, quem é você para não ser tudo isso? Considerar-se o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de si.
E à medida que deixamos a nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo".


(Discurso de posse, em 1994)
Nelson Mandela

6 comentários:

  1. Lindo!!!
    Adorei!!!

    Obrigada pela partilha Teresa! :-)

    Beijinhos e bom fim de semana!

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    1. Obrigada, Sónia. Também adorei e por isso partilhei. Vale a pena ler este livro. Um grande abraço

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  2. Que maravilhas faz o AMOR!... e a crença nos outros!
    ... e quando acreditamos no que os outros têm de melhor, esse melhor acontece e cresce!!!
    ...mas de facto em relação a nós mesmos temos tendência a "apoucarmo-nos"... e seria realmente bom se nos conseguiasemos ver da melhor forma e cheios de luz, sem nos ofuscarmos com ela. Um beijo grande cheio de carinho e saudades
    Isabel

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    1. Temos realmente tendência a "apoucarmo-nos" não deixando que a nossa luz brilhe e, consequentemente, permitir o brilhar dos outros também. Quando emanamos a nossa luz verdadeira, ela não ofusca e seria bom que todos tivéssemos essa consciência. Acreditar na nossa luz, na nossa essência,no amor em que estamos mergulhados.
      Um abraço, Isabel, que este sprint final seja o maior sucesso.

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  3. Os meus " testamentos" amiga, vão ter de esperar um pouco. Tenho cá a minha sobrinha ( do Brasil) com a sua filhinha e, claro, o tempo tem que ser para elas. Imagine, o fim de semana passado estiveram cá também o meu filho e netos; dormiu tudo cá; uma confusão total, mas gostosa. Acho que no próximo se vai repetir a dose, por isso não tenho a calma suficiente para comentar. Vai desculpar-me, não é verdade? Sei que sim! Um beijinho e até breve! Fique bem, Teresa!
    Emília

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    1. Como já lhe disse uma vez,Emília, comentar (em blogues) nunca deverá ser sentido como uma obrigação: Só quando o post nos convida a tal, existe disponibilidade interior exterior, vontade de expressar na escrita aquilo que sentimos... Não há que pedir desculpas (se fosse esse o caso, acho que eu não faria outra coisa). Adoro o que escreve, mas não queria que se sentisse com essa "obrigação" e fico muito contente por estar com as suas sobrinhas. Aproveite bem este tempo em que elas estão cá e não se preocupe com blogues :) Eu mesma estou com muito trabalho e agora estou a fazer uma pausa por aqui. Grande beijinho

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