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sábado, 2 de junho de 2012

Reconhecimento profissional

imagem retirada da internet
Reconhecimento: Uma necessidade intemporal e quase visceral. Reconhecer alguém significa identificar (quando nasce um bebé, ele é reconhecido pelos seus pais na maternidade e é neste reconhecimento que vai inserir-se na sociedade). 
Segundo Alain Botton uma vez satisfeitas as nossas necessidades básicas, a nossa maior necessidade é a do reconhecimento, de sentirmos que somos importantes para os outros, que "contamos" para eles.
A nível profissional o reconhecimento não é apenas algo que nos faz bem pontualmente, mas que alicerça a construção da nossa estima social ao permitir sentir que, de facto, pertencemos a um grupo.
Enquanto crianças os nossos pais felicitavam-nos pelo sucesso escolar e recriminavam-nos pelo insucesso. De certa forma, isso levou-nos a ter tendência para confundir o resultado dos nossos esforços com o nosso próprio valor no quanto ele representava para os nossos pais, confusão que vem a refletir-se noutros níveis, nomeadamente no profissional. 
Idealmente, a satisfação interior deveria ser sentida plenamente aquando da realização de um trabalho que sabemos bem feito e que foi gratificante mas, por vezes, basta uma crítica exterior para minar a nossa satisfação. Uma grande consciencialização e trabalho interior deverão ser feitos para não dependermos do olhar dos outros, mas dependência é uma coisa e uma acrescida satisfação natural quando nos demonstram apreço (quando nos sentimos re-conhecidos), outra bem diferente. Principalmente hoje em dia, em que a nossa vida profissional se tornou cada vez mais virtual e as funções que exercemos cada vez mais parcelares, divididas (não vemos o resultado de algo que fizemos do princípio ao fim). Mais do que nunca os meios de que dispomos para nos estimarmos parecem escapar-nos: Perdemo-nos em tarefas abstratas e parcializadas. Surge, então, o reconhecimento que auxilia a valorizar a nossa singularidade, ajuda a dar corpo e sentido a actividades cada vez mais desmaterializadas e faz sentir que efectivamente pertencemos a uma comunidade:  um verdadeiro balão de oxigénio que nos encoraja e dá mais sabor à vida.

9 comentários:

  1. Olá Teresa. Belo texto, como sempre.É certo que, quando realizamos determinada actividade devemos dar o nosso melhor, pondo em cada acção o nosso coração. Assim sendo, deveríamos sempre sentir orgulhos nessa nossa actividade, apesar de alguma critica menos favorável. Isso acontece em algumas pessoas e em alguns casos, mas, na maioria das vezes o incentivo, o reconhecimento do valor do nosso esforço nos dá um animo maior e nos faz de facto sentir que " pertencemos a uma comunidade" e isso dá um sabor especial à nossa vida. É um " mimo " e todos precisam de " mimos" mesmos aqueles que se dizem fortes e imunes às críticas. É por isso que devemos sempre ser muito cautelosos nos julgmentos seja em que area de actividade for; às vezes, sem nos darmos conta, cortamos as asas a uma pessoa que, com uma palavra de conforto, de incentivo poderia ir longe. Não custa nada uma palavrinha de de encorajamento, de valorização, de reconhecimento. São os tais jestos de afecto que fazem tanta falta e que damos tão pouco.
    Teresa, o meu computador teve um problema e perdi o disco rígido; com ele foram todos os meus contactos. Queria pedir-lhe o favor de me enviar o seu e-mail e, se não se importa o da Joaninha também. Obrigada, amiga e espero que tenha uma bela semana. Um beijinho muito especial.
    Emília

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    1. Bem verdade Emília: um elogio na altura certa pode mudar o percurso duma pessoa por lhe dar a confiança que precisa para continuar!
      Bem me lembro quando comecei o blogue e pensava que ninguém me lia, a Isabel (uma mulher muito simpática mãe de uma flor linda) me deu ânimo e, por isso, continuei; se não fosse pelas palavras de encorajamento dela nessa altura, poderia nunca vos ter conhecido e a minha vida estaria bem mais pobre agora! :-)

      Ah, e se quiseres mais uma morada de correio electrónico para onde enviar coisa boas e isnpiradoras, cá vai o meu: sdaveiga.pt@gmail.com! :-)

      Beijinhos e boa semana!

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    2. Que bom Sonia...assim quando for a Coimbra já posso contactar-te para nos conhecermos. Ainda agora em Maio fui ao Portugal dos pequenitos com os meus netos e a minha sobrinha que veio cá do Brasil com a sua filhotinha. Muito obrigada. Hoje à noite mando-te uma mensagem para ficares com o meu. Beijocas
      Emília

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    3. Cá te espero!
      Até breve amiga! :-)

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    4. Sim, Emília, o ideal seria libertar-nos de quaisquer sombras que o olhar dos outros possam eventualmente fazer-nos. Mas uma vez que não vivemos isolados é natural que esse olhar nos condicione de uma forma ou outra. Há que trabalhar para que esse condicionamento seja cada vez menor, mas creio que ele existe sempre. Como diz, "devemos sempre ser muito cautelosos nos julgamentos seja em que area de actividade for; às vezes, sem nos darmos conta, cortamos as asas a uma pessoa que, com uma palavra de conforto, de incentivo poderia ir longe." Até porque a vulnerabilidade de certas pessoas ao olhar dos outros é imensa e ele pode ser verdadeiramente destruidor. Ou redentor! Como é bom sentirmo-nos reconhecidos num lindo olhar... Um reconhecimento que nos ajuda também a reconhecer o outro e a saborear a vida com mais intensidade. Obrigada, Emília pelo seu olhar! Beijinho grande e bom fim de semana!

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  2. Ainda ontem estive a pensar nisso mesmo, em como é quase impossível funcionarmos sem termos feedback positivo de alguém...
    Ninguém é imune a isso e, como disseste, é preciso trabalharmo-nos muito para conseguirmos ser o mais independentes possível disso.
    Eu ainda tenho um caminho LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOONGO a percorrer nesse respeito, mas já estou muito melhor do que era. Passinhos de formiga em algumas coisas! ;-P

    Mas um elogio merecido é sempre bom, por isso te digo isto com toda a sinceridade: já sentia falta das tuas palavras inspiradas! :-)

    Beijinhos e uma fantástica semana!

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    1. Tenho pensado muito nisto, ultimamente, e sinceramente, Sónia, acho que é quase impossível libertar-nos da ação controladora do nosso ego. Deepack Chopra (e tantos outros) defende que estamos livres quando somos independentes das opiniões boas ou más dos outros, quando renunciamos à necessidade de procurar aprovação... Mas como podemos ser independentes se nos construímos em comunidade, em interdependência? Sei que esta construção é a que, de algum modo, acaba por fazer sombra ao nosso verdadeiro Eu interior, e criar uma prisão à nossa volta, prisão em que o olhar dos outros será grande parte do gradeamento. Como nos libertar dela? Dá-nos tanto ânimo uma palavra de aprovação, um elogio sentido... Um verdadeiro alimento que dá mais sabor à nossa vida. E se ela fica com mais sabor porque não degustá-lo? E, já agora, como me souberam bem as tuas palavras... Enquanto não me liberto deste meu ego, vou saboreá-las :) Beijinho grande

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    2. Eu não acredito que apreciar coisas boas seja algo que o ego nos dá.
      Se recebemos um elogio e deixamos o nosso orgulho inchar com ele, é ego; mas se esse elogio nos dá apenas uma maior noção de estarmos no caminho certo, isso não é ego!
      Quando vais por um caminho, procuras sinais de estares a ir no sentido certo - pelo Sol, pela paisagem, perguntando a alguém. Isso não é ego, é parte da caminhada!

      Nunca poderemos ser independentes dos outros pois somos um ser social e parte da mesma consciência, mas podemos escolher como usar os elogios que recebemos: como combustível para reforçarmos o nosso ego e nos distanciarmos dos outros; ou como um modo de sabermos que estamos a seguir o caminho certo que nos levará à evolução na e da consciência.

      Por isso saboreia sempre os elogios, pois são sinceros e de coração, nada de ego para ego, mas sim de consciência, alma e coração para consciência, alma e coração! :-)

      Beijinhos e continuação de boa semana amiga! :-D

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