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sábado, 16 de junho de 2012

CRUZAMO-NOS, MAS NÃO NOS ENCONTRAMOS (I)


Observar e sentir sem julgar, nem interpretar

 Camille Pissarro

Concordamos, em geral, com o facto de grande parte da nossa riqueza residir nas relações profundas e duradouras que criamos connosco mesmos, com os outros e com tudo o que nos rodeia, mas sabemos, também, o quão difícil é concretizá-lo. Os grandes obstáculos, segundo Thomas d`Ansembourg, que o impedem são:

1º) Raramente, estamos em contacto com a realidade tal como ela é.

Estamos em contacto com a realidade tal como acreditamos que ela seja, como a vemos, como a interpretamos e não como ela é objetivamente.
Segundo Krishnamurti, saber distinguir a observação de um facto da sua interpretação, é um dos estados mais avançados da inteligência humana. É, sem dúvida, uma das coisas mais difíceis: Diferenciar o facto tal como se apresenta, da emoção que provoca em nós. A nossa interpretação dos factos adquire a cor dos medos, das esperanças e das projeções que vivem em nós – construímos cenários mais ou menos fictícios sobre a realidade.
A consciência de que misturamos os factos com as emoções que despoletam em nós, pode iniciar o caminho que nos levará ao verdadeiro ENCONTRO com o outro. O primeiro passo será, portanto, o da observação mais neutra possível. O segundo passo, o de expressarmos a nossa observação encetando um diálogo de maneira a respeitar a realidade e o ponto de vista do outro. Ao distinguirmos os factos das emoções permitimo-nos, em seguida, comunicar a emoção que a observação fez surgir em nós, sem julgar nem agredir.

2º) Baseamos muitas vezes as nossas reações nas nossas impressões, crenças e preconceitos, em vez de as basearmos no que sentimos verdadeiramente.

Não nos escutamos a nós próprios do modo mais adequado. Se perguntarmos a uma pessoa “Como se sente?” em relação a uma situação preocupante é natural que ela responda “Sinto que é preciso fazer isto ou aquilo… Sinto que está tudo perdido…”
O nosso velho hábito de pensar em vez de sentir a vir ao de cima: Respondemos, muitas vezes, através de pensamentos, conceitos, comentários e não através de um sentimento quando a pergunta se situa no âmbito dos sentimentos. Basta dizer “Sinto que…” para nos convencermos que estamos a expressar um sentimento. Há, portanto, que diferenciar emoção de pensamento, pois é esta diferenciação que nos permitirá situar em relação a uma situação ou pessoa sem julga-la, nem criticá-la e sem descarregarmos para cima dela a responsabilidade do que estamos a viver.
Assim, há que saber identificar no vocabulário dos sentimentos, aqueles que contêm uma interpretação ou um juízo acerca do que os outros dizem, fazem ou são. No fundo, as palavras que sugerem erro por parte de alguém, ou que atribuam ao outro a responsabilidade do que sentimos pode alertar-nos para o facto de estarmos a misturar sentimentos com interpretações. Para terminar, por hoje, deixamos-vos três exemplos de sentimentos ou emoções que contêm julgamentos escondidos:

INTERPRETAÇÂO
Possíveis EMOÇÕES
Insultada
Furiosa, emocionada, triste
Rejeitada
Magoada, assustada, zangada
Desvalorizada
Zangada, triste, desapontada


Fonte:  Seja verdadeiro, Thomas d`Ansembourg

Nota: Este post vem na sequência do da Comunicação NãoViolenta ou Autêntica, temática a que pretendo dedicar-me neste período.
Teresa

2 comentários:

  1. Estupendo lo compartido.
    Gracias

    Dicen"El primer paso es, por lo tanto, la observación neutral como sea posible

    Darlo es el cominzo del camino que nos ira elevando en el espiritu.

    Saludos

    PD, cuesta la traduccion ya que el blog no lo hace directamente.

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  2. Sim, Abuela, é mesmo isso: O primeiro passo para uma comunicação autêntica, que nos une e eleva, é a observação mais neutra possível. Muito obrigada por estar aqui. Um abraço e um feliz domingo

    Teresa

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