domingo, 16 de setembro de 2012

FLUIR



Todos conhecemos, pelo menos uma vez na vida, a sensação de ser, ao mesmo tempo, únicos e estar imersos na totalidade; de engrandecimento do ser, de uma experiência de transcendência. Seja na partilha de uma alegria colectiva, na dádiva a um projeto ou causa, nos braços do ser amado, numa música que nos arrebata…
Mihaly Csikszentmihalyi denomina esta expansão do ser, esta plenitude que invade o corpo, o coração e o espírito, the flow, “o fluxo”. É como que uma onda que nos transporta para longe das margens do medo, do aborrecimento, de tudo aquilo que nos constrange e limita. A grande descoberta de Mihaly Csikszentmihalyi é ter demonstrado que a experiência de fluxo pode ser programada e repetida para se tornar naquilo que ele denomina “experiência óptima”: O estado de imersão total numa tarefa desafiadora em que a alienação dá lugar ao envolvimento, o encantamento substitui o aborrecimento, o sentimento de resignação é substituído pelo de controle.
Esquiar, fazer voluntariado, nadar, conversar com amigos, cantar num coro, pintar, escrever… As chaves da vivência de uma experiência óptima são: Existência de um desafio claro que concentra completamente a nossa atenção; termos capacidade para responder a esse desafio e recebermos um feedback imediato em relação à maneira como estamos a sair-nos em cada passo da nossa actividade (por exemplo, recebemos um sentimento positivo depois de cada nota correctamente cantada, de cada pincelada dada).
Assim, quando escolhemos algo em que nos investimos na medida das nossas capacidades e da nossa concentração, algo que nos desafia e nos envolve, damo-nos a possibilidade de viver experiências verdadeiramente gratificantes.
Para ser considerada uma “experiência óptima”, a sua actividade preferida deve apresentar as seguintes oito características:
1.     Ser realizável, mas constituir um desafio e exigir uma aptidão particular.
2.     Necessitar a sua concentração.
3.     Ter um objectivo claro.
4.     Fornecer um feedback imediato (saber se começou a ser bem sucedido ou não).
5.     Um envolvimento profundo que exclui qualquer distração.
6.     A possibilidade de você poder controlar todas as suas acções.
7.     Fazer desaparecer a preocupação consigo próprio, "esquecer-se de si".
8.     Alterar a percepção da duração, do tempo.
        
      Fontes:  Vivre - La psychologie du bonheur, Mihaly Csikszentmihalyi
                  Psychologies

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Wabi Sabi - A Arte da Imperfeição



Wabi sabi é uma expressão japonesa, quase intraduzível, que define a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. Uma forma de "ver" as coisas através de uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade.
O conceito terá surgido por volta do século XV. Um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimónia do Chá e foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou-o varrer o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse uma única folha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas exemplarmente arrumadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre Rikyu, chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu tornou-se um grande Mestre do Chá e desde então é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de wabi-sabi: a arte da imperfeição.
Um dos ensinamentos da historia de Rikyu é que estes mestres japoneses conseguiram perceber que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a revelação da verdadeira natureza das coisas. "Perceber a beleza que se esconde nas frestas de um mundo imperfeito é uma arte." 
No nosso mundo real, aqui e agora, que tal abrir os olhos para a beleza das coisas imperfeitas?

Fonte: http://claudiomar-slides.blogspot.pt/2011/06/wabi-sabi-arte-da-imperfeicao.html

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Dar sentido à vida

 
Imagem retirada daqui   

“O que faz sentido para mim? Amar e compreender. Amar os amigos, as crianças, os animais, as gargalhadas. E compreender, ler, falar, duvidar… Duvidar é a agitação do pensamento.” 
Boris Cyrulnik

 Imagem retirada daqui 

 Em determinados períodos da nossa vida surge, inevitavelmente, a questão: “Para onde corro? Onde vou?” Um questionamento próprio do ser humano “animal consciente” talhado de sentido, nos dois sentidos do termo: A direção a tomar, assim como a razão de ser da existência.
     Porquê? Porque só ele está consciente da sua mortalidade. Como nos diz Michel Houellebecq “nascemos, reproduzimo-nos uma ou duas vezes e depois morremos”. É a tomada de consciência desta aparente absurda realidade da nossa existência que nos leva a tentar encontrar o sentido da vida. Fascinante, responsabilizante, esta aventura, e também fatigante, dado que não temos, forçosamente, um modelo a seguir. Não há um único sentido dado por qualquer referência exterior e sobre o qual se apoiar, mas sentidos que cada um se esforça por tecer de forma singular, no quotidiano, na vida de cada dia.
Para um cada vez maior número de pessoas que quer colocar a atenção e consciência nos seus gestos quotidianos “a vida de cada um é uma sequência de oportunidades únicas de totalizar o sentido”. Como nos diz Christiane Singer “não se trata de dar um sentido, mas criar em mim as condições para acolher a sua claridade, de me tornar, pouco a pouco, porosa, porosa à vida!”. Acolhamos esta luz que se eleva sobre as horas, descubramos a cor de cada momento. 


Nota: A busca de sentido tem sido um tema recorrente neste blog, nomeadamente, em "Sentido"; "Sentido e voluntariado"; "Boa semana!".
Abordagens diferentes, mas sempre com algo comum: O da nossa interligação e ligação a algo maior ou à intensidade da vida, simplesmente. No mosaico da nossa existência é sempre possível ver o desenho das suas grandes linhas, as linhas que lhe dão sentido.