“O que comanda a vida é o afecto, não é o pensar.
Santo Agostinho dizia que é o querer que nos leva e estimula
o intelecto e a compreensão; ao contrário do que muitas vezes pensamos. “Eu
penso e depois isso passa para a realidade”, dizemos nós. Mas é mentira! Aquilo
que eu penso não passa tão facilmente para a realidade, mas é aquilo que eu
quero – mesmo – que determina as minhas acções. Só que, às vezes, no fundo, não
queremos – ou “ainda não” queremos.
E isto é uma questão muito clara, para responder com franqueza: Que prioridades vivo? As prioridades da razão ou do coração?”
Vasco Pinto Magalhães, sj
E isto é uma questão muito clara, para responder com franqueza: Que prioridades vivo? As prioridades da razão ou do coração?”
Vasco Pinto Magalhães, sj
“Tempo é uma questão
de preferência. Tempo, quando você quer, arranja. Só que eu estou com mais
tempo para outras coisas. Ou seja, no fundo, eu estou preferindo fazer outras
coisas (…)
Isso me faz lembrar aquela história em que pediram para uma
pessoa escrever uma coisa e lhe disseram que era só para Outubro. Aí a pessoa
respondeu que se fosse para Outubro não tinha tempo. Mas se fosse para já,
fazia, tinha tempo.”
Jô Soares
Sim, porque a vida nos interpela, nos chama a cada momento e
fazemos, cada vez menos, a pergunta certa do que nos é pedido e do que está nas
nossas mãos, negando os nossos limites. Há que aceitá-los e lidar com esta
profunda mudança cultural que nos condiciona e desgasta implica, para além da
aceitação, uma abertura e diálogo com a realidade. Só podemos avançar se
descansarmos e o descanso tem como ponto de partida um diálogo com as coisas
que nos acontecem, viver os problemas em diálogo e não entrar em conflito com a
realidade. E, nesse diálogo constante com as situações, com os problemas,
captar deles o que interessa e deitar fora o que não interessa. Deveríamos ter,
tal como nos computadores, aquele mecanismo de delete, de deitar fora aquilo que não interessa. Deveríamos ter um
enorme “caixote do lixo” que nos permitisse um imenso espaço livre para o que
realmente importa: O amor e o sentido.
Fonte bibliográfica: Vasco Pinto Magalhães, Só
Avança Quem Descansa