sábado, 10 de setembro de 2011

Praticar o não julgamento

 
Julgar, à partida, é fazer uma distinção: Identificar aquilo que sou e aquilo que é o outro, aquilo que nos é semelhante e aquilo que nos distingue. O julgamento representa a constante avaliação das coisas como certas ou erradas, boas ou más. Quando se está sempre a avaliar, a classificar, a rotular, a analisar, cria-se uma imensa turbulência no nosso diálogo interior, como nos diz Deepak Chopra. 
Os nossos julgamentos criam, de facto, uma grande desestabilização: Quanto mais repetimos que o nosso filho é desobediente, mais nos irritamos, quanto mais alimentamos o pensamento de que o mundo é injusto, mais nos perturbamos.
O julgamento, seja positivo ou negativo, remete para uma vulnerabilidade emocional e afectiva, para feridas narcísicas. Se não tivéssemos sido submetidos ao julgamento, não julgaríamos os outros e não julgaríamos a nós próprios.
No coração do julgamento, o ego ávido de reconhecimento está sempre lá: “O que é que eu valho?” Quanto mais julgo o outro, mais duvido do meu valor.
Se encararmos o julgamento como a nossa parte de sombra, de sofrimento, de fragilidade, ele transforma-se num convite a ver mais de perto aquilo que grita ou chora em nós.
O não julgamento é uma chave para melhor se amar e melhor amar os outros, fazer silêncio em nós para nos tornar disponíveis aos outros. Exige não somente o controle da palavra e dos pensamentos, mas também a estabilidade das emoções e aceitação da realidade tal como é. Os seus grandes obstáculos são a dificuldade em aceitar a alteridade e também a impossibilidade que sentimos em escutar verdadeiramente o outro.
Praticar o não julgamento é libertarmo-nos das nossas prisões mentais e pacificar o nosso coração.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Criatividade - ecologia humana

É com as palavras de David Servan-Schreiber que retomamos o tema da criatividade, já aqui abordado. David Servan-Schreiber deixou-nos no dia 24 de Julho vencido pelo câncer que combatia há 20 anos. Com a sua obra-testamento “antes de dizer adeus” (On peut se dire au revoir plusieurs fois) este neuropsiquiatra deu-nos mais um presente de conforto e optimismo.  
Como grande propósito deste novo ano lectivo, que começa, deixamos-vos a sugestão: Reinventarmo-nos, religarmo-nos a cada momento.


“Há uma bela imagem no romance Vendredi ou les Limbes du Pacifique. Michel Tournier fala do crânio de um búfalo suspenso de uma árvore, que deixa passar uma música quando o vento passa através dele. Quem produz a música: o crânio, o vento, ou o encontro dos dois?
Acontece o mesmo com a criatividade: cada um de nós, no decurso da vida, das experiências, é como este crânio de búfalo através do qual sopra a vida, gerando uma melodia perfeitamente inédita. Que sentimento de júbilo ao perceber que não é necessário ser artista para viver a vida como um processo criativo!
O que aprendi de essencial nos últimos vinte anos da minha carreira científica, é também a maior descoberta da ecologia moderna: trata-se da ideia simples e fundamental de que a vida é a expressão das relações no seio de uma rede, e não uma série de objectivos pontuais perseguidos por individuos distintos. É tão verdade no que respeita a formigas, girafas, lobos como a seres humanos. Pela minha parte, foi através das minhas relações com todos os que se apaixonam por estas ideias de ecologia humana que tive a sorte de exprimir a minha criatividade e de contribuir para a comunidade.”
David Servan-Schreiber

domingo, 4 de setembro de 2011

A rentrée



Chegou o momento em que temos de voltar ao rodopio dos horários, cortar com o doce descanso dos dias sem relógio. Um corte que visualizamos, em geral, nos nossos pensamentos, com alguma rejeição e vontade de adiar. No entanto, ele é-nos imposto e... ainda bem! Porque se este momento não nos fosse imposto talvez nos mantivéssemos ad eternum num dolce far nienti. É preciso partir para outro ciclo renovado. Entrar na realidade e arriscar. Arriscar um mundo de possibilidades e inventarmo-nos a cada dia. Vamos! A praia está longe, o campo do infinito está aí. "JUST DO!"
Boa rentrée, boa semana!

Nota: Para este novo começo deixamos-vos a sugestão de um filme: "Beginners" ("Assim é o amor"). A não perder, mesmo.




quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Vamos dançar?



A dança liberta-nos: Une o eu solitário à comunidade. Transforma o espaço e o tempo. Uma terapia para o corpo e para a alma. Vamos dançar?

domingo, 28 de agosto de 2011

Postais III

http://youtu.be/PxpD4UMci8A (a incorporação deste vídeo foi desactivada)

Terminamos as nossas férias com os dois postais que a Ana Teresa sempre numa imensa e generosa partilha nos deixou e com a convocatória de Paulo Borges. Muito obrigada aNaTureza por tudo o que nos ofereces e partilhas! Bom domingo!
  




"Convocatória
Precisa-se urgentemente de uma nova geração de amigos da realidade, que adorem ver as coisas como são, para além de todos os juízos e conceitos, e que amem imparcial e incondicionalmente todos o seres e tudo, homens, animais e todas as vidas invisíveis, o ar, a água, a terra, o fogo, o planeta, o inteiro universo.
Tu podes ser um deles! Precisamos urgentemente de ti! " 
Paulo Borges

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Postais II



“Era uma vez… um homem que andava em peregrinação pelo mundo prestando atenção ao que ia vendo. Um dia chegou à povoação de Kammir. Antes de lá entrar, reparou num pequeno caminho que o chamou à atenção pelo facto de estar coberto de árvores e de flores. Seguiu por ele e foi dar a uma cerca de madeira com uma porta de bronze entreaberta, como se o convidasse a entrar.

O homem transpôs o umbral e começou a caminhar lentamente entre as pedras brancas distribuídas entre as árvores como que ao acaso. Era o cemitério daquele lugar. Baixou-se para olhar uma inscrição e leu: Abdul Tareg viveu 8 anos, 6 meses e 3 dias. O homem sentiu pena da criança que morrera tão jovem e, com curiosidade, foi lendo as lápides que estavam à sua volta. Qual não foi o seu espanto quando se apercebeu de que a pessoa enterrada que vivera mais tempo tinha apenas onze anos. Terrivelmente abatido, sentou-se reflectindo sobre que estranha desgraça poderia ter sido a causa da morte de tantas crianças, quando um velho se dirigiu a ele e lhe perguntou o que se passava.

- O que é que aconteceu nesta povoação? Porque estão tantas crianças enterradas neste local? Que terrível maldição caiu sobre vós?

- Fique tranquilo, bom homem – disse o velho. – Não existe qualquer maldição. O que acontece é que na nossa cultura, quando um jovem faz quinze anos os pais oferecem-lhe um pequeno caderno como o que aqui tenho. A partir dessa idade, cada vez que desfrutamos realmente de algo, ou vivemos um momento especial ou intenso, sentimos amor, paz ou felicidade, anotamos no caderno essa vivência indicando quanto tempo durou. Assim vamos fazendo todos nós e, quando morremos, somam o tempo que vivemos em plenitude de sentido e consciência e anotam na lápide. Este é, meu amigo, o único tempo vivido.”

Ao reler uns posts do meu anterior blog não resisti a deixar-vos, de novo, este vídeo e  história. Vivamos a vida!
Teresa