“Após anos e anos de assistência
a pessoas que vivem os seus últimos momentos, não sei muito mais sobre a morte
em si mesma, mas a minha confiança na vida não tem senão aumentado. Vivo, sem
dúvida, mais intensamente, com uma consciência mais aguda, aquilo que me é dado
viver, alegrias e tristezas, mas também todas essas pequenas coisas
quotidianas, que são óbvias, tal como o simples facto de andar ou respirar.
Talvez me tenha tornado mais
atenta aos que me rodeiam, consciente de que não os terei para sempre a meu
lado, desejosa de os descobrir e de contribuir, tanto quanto puder, para que
eles venham a ser aquilo para que são chamados. (…)
(…) e muitos moribundos, no
instante de deixarem a vida, nos têm lançado esta mensagem pungente: Não passem
ao largo da vida, não passem ao largo do amor.”
Marie de Hennezel, La mort intime
"Qualquer que seja a duração de vossa vida, ela é completa. A sua utilidade não reside na duração e sim no emprego que lhe dais. Há quem viveu muito e não viveu. Meditai sobre isso enquanto o podeis fazer, pois depende de vós, e não do número de anos, terdes vivido bastante."
"Qualquer que seja a duração de vossa vida, ela é completa. A sua utilidade não reside na duração e sim no emprego que lhe dais. Há quem viveu muito e não viveu. Meditai sobre isso enquanto o podeis fazer, pois depende de vós, e não do número de anos, terdes vivido bastante."
Michel de Montaigne, Ensaios
Sabemos que todos morreremos um dia, mas escondemos a morte, fugimos…
Angustia-nos pensar nela. É, talvez, dos únicos tabus da nossa sociedade. E, no
entanto, a morte é o momento culminante da nossa vida, a sua coroação, aquele
que lhe mostra o sentido e valor.
Aqueles que têm o privilégio de acompanhar alguém, nos seus últimos instantes
de vida, partilham uma intimidade cujo valor é incomensurável. Aquele que vai
morrer tentará expressar, àqueles que o acompanham, toda a sua essência.
Através de um gesto, uma palavra, às vezes, somente um olhar, tentará falar daquilo
que conta verdadeiramente e não soube dizer (ver 5 arrependimentos antes de morrer).
Que grande ensinamento nos dá aquele que vai morrer: Ensina-nos a viver!
Em vez de negar a morte há que integrá-la na vida e, na consciência de
seres mortais, podemos valorizá-la, respeitá-la na imensidão daquilo que nos
oferece.
Precisamos aprender a viver e aprender a morrer… Para essa aprendizagem
propomos dois exercícios: O primeiro da autoria de Stephen Covey e o segundo de Vasco Gaspar.
“Se eu estivesse morto…”
- Pense em três pessoas dentre aquelas que conhece melhor: cônjuge,
amigo, colega…
- Numa folha resuma numa frase aquilo que cada um diria de si (três
frases, portanto, no total).
- Noutra folha escreva, em seguida, aquilo que gostaria de ouvir sobre
si. Para ajudar pode categorizar: plano relacional, familiar, profissional,
espiritual…
- Compare as duas listas.
- Realce os aspectos que considera mais importantes consagrando-lhes
prioridade no futuro, tomando-os como objetivos concretos.
-“Vivi ao máximo o meu potencial?”
-“Pus “cá para fora” quem eu realmente sou?”
-“Inspirei as pessoas que me rodeiam?”
-“Fiz a diferença na vida de alguém?”
-“Construí algo que mereça ser lembrado?”
-“Deixei o mundo melhor do que quando o encontrei?”
Nota: Ver ainda "Ce qui est important"
Muito obrigada, Emília!
