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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O surf como metáfora da Vida

“Surfar é, sobretudo, aceitar remar”

 imagem tirada daqui

 Na vida, como sobre as ondas, a grande arte consiste em acompanhar o movimento. Não resistir, mas aceitar o movimento da vida e permitir que ela flua em nós. Aceitar não significa “cruzar os braços”, permanecer passivo. Pelo contrário, implica um estado de actividade intensa para permitir acolher a força invisível do que nos é dado viver e deixar agir o seu poder absoluto. É esta aceitação que o surf nos mostra com nitidez, pois é graças à aceitação que o surfista permanece na prancha e exerce a sua arte. 
O surf é uma escola de humildade em que a alegria de deslizar nas ondas é indissociável do esforço necessário para lá chegar. Naquele eterno recomeço tudo pode mudar num instante: O vento, a maré, o tempo. Uma vivência plena do instante que nos ensina a quebrar, na nossa atitude quotidiana, a tendência para a acção automatizada e a aprender a viver mais conscientemente.
O surf mostra-nos relações de fluxo, de reciprocidade, de equilíbrio e adaptação ao meio envolvente: A vida no seu fulgor. Ensina-nos, também, a sobreviver às marés baixas da existência. Como grande exemplo deste ensinamento deixamos-vos o vídeo da SURFaddict - Associação Portuguesa de Surf Adaptado, a primeira associação de surf adaptado da Europa: Uma inspiração para a nossa vivência quotidiana.
 


domingo, 19 de agosto de 2012

Um Dia Extra

Zao Wou Ki 
(imagem retirada daqui)

"Imagine que recebe uma carta pelo correio. A carta diz que ganhou um prémio numa rifa. O prémio que ganhou é a oportunidade de desfrutar de um dia extra na sua vida. Para aceitar o seu prémio tem de concordar em inserir o seu dia extra em algum lugar nas próximas oito semanas. A pergunta que faço é: "Como é que vai aproveitar este dia extra na sua vida?" Dedique alguns momentos agora a reflectir acerca do que faria com ele, onde iria, com quem passaria esse dia e como aproveitaria ao máximo esse precioso prémio. 
O exercício "Um Dia Extra" é uma oportunidade para ver se você está, ou não, a viver as suas prioridades. É uma oportunidade para contemplar a vida não vivida e perceber onde é que está a adiar a sua alegria. Um dos maiores bloqueios à felicidade é o facto de pretendermos ser mais felizes um dia. Este adiamento pode começar como uma intenção honesta, mas muitas vezes pode acabar como uma promessa não cumprida. Só é possível adiar a alegria durante algum tempo. A vida e a morte é o que lhe acontece enquanto está a fazer outros planos. Pense na forma como pretende desfrutar da sua vida um dia e comece a apreciá-la mais agora."
Robert Holden, Be Happy

Um Dia Extra na sua Vida... O que vai fazer? 
Viva a vida só por um instante.

sábado, 28 de julho de 2012

Boas Férias



“O optimismo é a fé em acção. Nada se pode levar a efeito sem optimismo.”
Helen Keller

 
A qualidade de vida depende, em grande parte, do modo como se encara a realidade. Esta pode e deve ser encarada de uma forma construtiva que tem como raízes a capacidade de perceber o bom, a confiança em si e o prazer de viver. Estas raízes são justamente as do optimismo que, embora tenha influências genéticas, pode ser construído.
Consideramos que o optimismo é, sobretudo, fruto de um trabalho sobre nós próprios: Uma atitude de confiança na existência associada à convicção de que em caso de problemas ou decepções saberemos reagir. Não se limita a uma atitude mental (confiança no futuro), traduz-se também em estratégias que se adaptam à resolução de problemas.  E mesmo que não tenhamos uma história de optimismo geneticamente determinada podemos desenvolver essa força interior em qualquer momento da vida: Debruçarmo-nos sobre o positivo da vida, partilhar as nossas vitórias, cultivar o lado bom da existência, saborear os pequenos nadas… É essa a proposta do nosso projecto que renovamos hoje, com este texto de Helen Keller, para  desejar umas férias vividas em plenitude.

 

 “Recentemente uma amiga de longa data veio-me visitar. Sabendo que, no caminho, tinha atravessado a floresta, perguntei-lhe o que tinha observado. “Nada de especial”, respondeu ela. 
 Se não estivesse já habituada a este tipo de respostas não teria acreditado. Mas faz tempo que compreendi que os que têm olhos não vêem.
 Pensei para comigo “Como é possível não notar nada de especial num passeio de uma hora pelo campo? Eu que não vejo encontro milhares de coisas fascinantes apenas pelo toque. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos, com ternura, sobre a superfície lisa da bétula e sinto contraste com a casca rugosa do pinheiro. Na Primavera, percorro os ramos à procura dos botões... Sinto o veludo de uma flor... Delicio-me com a água fria do riacho a correr entre os dedos. Para mim um sumptuoso tapete de caruma ou de relva fofa vale todos os tapetes persas. 
 Se eu retiro tanto prazer apenas pelo toque, quanto mais beleza pode contemplar quem vê! Porém, aparentemente, os que têm olhos não a vêem. As paisagens, as cores e a actividade do mundo é, para eles, coisa banal. 
 É humano talvez aspirar ao que nos falta e valorizar pouco aquilo que temos. Mas é pena que no mundo da luz o dom da visão seja apenas funcional e não um meio para gozar a plenitude da vida."
Nota: Este texto foi enviado via email por Tsering Paldron no âmbito do E-dharma.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Uma abertura ao movimento da vida, uma fenda para renascer


F. Alberoni

 
“Inspira-me o silêncio, o calor, o sol, o mar, a luz, as planícies alentejanas, tudo o que me dê uma sensação de liberdade; inspiram-me as pessoas, sobretudo as que estão bem com elas, a pintura, a música, o teatro, o cinema, entrar em livrarias, os actos humanitários, os seres generosos e emocionalmente inteligentes, as pessoas dignas e de carácter, inspira-me a alegria, a verdade, a autenticidade. E apaixona-me quase tudo o que me inspira.”
Ana Zanatti


“Dizer “sim” é uma atitude interior que nos abre ao movimento da vida, aos seus imprevistos, às suas surpresas. É uma espécie de respiração que nos permite acompanhar interiormente a fluidez da existência.”
Frédéric Lenoir


Como referi aqui a infelicidade é uma tentação: É sempre mais fácil deixarmo-nos afundar no sentimento da infelicidade do que lutar contra ele. Inversamente, fazer durar o bem-estar requer mais esforço.
Parece haver uma força que nos impele a abandonar-nos ao sentimento de infelicidade. E vivemos tempos em que tudo nos parece querer levar para um abismo do qual não haverá força para sair. Mas, como diz Ernesto Sabato no seu livro Resistir, “o ser humano sabe fazer dos obstáculos novos caminhos porque, para a vida, basta o espaço de uma fenda para renascer.”
“O espaço de uma fenda para renascer”… Uma imagem que me vem inúmeras vezes ao pensamento e que me preenche o olhar e a alma nas minhas caminhadas diárias.
O “sim” ao movimento da vida. Vejo em cada erva que surge no asfalto que piso, no betão que acompanha os meus passos, a liberdade, a vitória da vida perante tudo o que nos aprisiona. O ultrapassar dos obstáculos, a celebração da existência.
Celebremo-la, então, aqui e agora, em cada momento de liberdade que podemos gozar, em cada afecto que podemos partilhar, em cada raio de sol que nos ilumina, em cada noite de luar e cada estrela que nos guia. Vamos dizer “sim” ao movimento da VIDA!

Teresa



sábado, 30 de junho de 2012

Enfrentar o desafio do vazio


“Penso que ensinar é antes de tudo um ato de fé.

Fé nos sonhos.

Fé na esperança.

Fé na imensa capacidade

De imaginar e construir um mundo novo.”

Aluísio Cavalcante Jr


Abrão Slavutzky fala-nos do sentimento de vazio que parece caracterizar o século que vivemos: Uma sensação de desamparo perante a desconstrução daquilo que até há bem pouco tempo nos parecia solidamente erguido; uma descrença no novo rosto do mundo que nos rodeia; um vazio cujo preenchimento parece ser obsessivamente procurado. Uma procura muitas vezes sem norte. Impressionam, de facto, as dificuldades que se apresentam aos mais jovens na busca de um espaço que os inscreva e permita escrever as letras do entusiasmo. Mas também sabemos que este é o tempo de todos os possíveis, o tempo da aprendizagem da “poesia das incertezas”. É do vazio que tudo se materializa e este é o tempo de sonhar. Sonhar com novas forças alicerçadas na família, na amizade, no humor, na arte, nos mestres que nos guiam… Mestres como AluísioCavalcante Jr que nos ajudam a ver o sentido e enfrentar o desafio do vazio.  

domingo, 24 de junho de 2012

Cinco necessidades relacionais



Marc Chagall

“O maior medo que levamos dentro de nós é o medo de sermos rejeitados e o maior sonho o de sermos compreendidos”
Alberto Brito

“O que eu quero na minha vida é compaixão, um fluxo entre mim mesmo e os outros com base numa entrega mútua, do fundo do coração.”
Marshall Rosenberg

“Cada um de nós… qualquer que seja a sua posição social, as suas opções de vida, as suas ligações, os seus valores/crenças ou as suas fidelidades, acaba por descobrir, um dia… que é um deficiente relacional, um inadaptado na partilha íntima, um deficiente da comunicação próxima, íntima, imediata.”
Jacques Salomé


Segundo Jacques Salomé são cinco as nossas grandes necessidades relacionais:

- Necessidade de “se dizer” com as suas próprias palavras.
- Necessidade de ser compreendido, numa “mesma língua”.
- Necessidade de ser reconhecido, tal como sou e não como os outros gostariam que fosse.
- Necessidade de ser valorizado, de ter um lugar na família, na empresa, na sociedade…
- Necessidade de sonhar que amanhã será melhor do que hoje e que depois de amanhã será melhor do que amanhã.

Para que a linguagem da violência não impere na nossa sociedade há que conhecer, compreender estas necessidades. O mundo em que vivemos é aquilo que fazemos dele e cada um de nós pode fazer a diferença no fluxo que corre para a casa do coração.