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domingo, 28 de agosto de 2011

Postais III

http://youtu.be/PxpD4UMci8A (a incorporação deste vídeo foi desactivada)

Terminamos as nossas férias com os dois postais que a Ana Teresa sempre numa imensa e generosa partilha nos deixou e com a convocatória de Paulo Borges. Muito obrigada aNaTureza por tudo o que nos ofereces e partilhas! Bom domingo!
  




"Convocatória
Precisa-se urgentemente de uma nova geração de amigos da realidade, que adorem ver as coisas como são, para além de todos os juízos e conceitos, e que amem imparcial e incondicionalmente todos o seres e tudo, homens, animais e todas as vidas invisíveis, o ar, a água, a terra, o fogo, o planeta, o inteiro universo.
Tu podes ser um deles! Precisamos urgentemente de ti!
Paulo Borges

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Postais II



“Era uma vez… um homem que andava em peregrinação pelo mundo prestando atenção ao que ia vendo. Um dia chegou à povoação de Kammir. Antes de lá entrar, reparou num pequeno caminho que o chamou à atenção pelo facto de estar coberto de árvores e de flores. Seguiu por ele e foi dar a uma cerca de madeira com uma porta de bronze entreaberta, como se o convidasse a entrar.

O homem transpôs o umbral e começou a caminhar lentamente entre as pedras brancas distribuídas entre as árvores como que ao acaso. Era o cemitério daquele lugar. Baixou-se para olhar uma inscrição e leu: Abdul Tareg viveu 8 anos, 6 meses e 3 dias. O homem sentiu pena da criança que morrera tão jovem e, com curiosidade, foi lendo as lápides que estavam à sua volta. Qual não foi o seu espanto quando se apercebeu de que a pessoa enterrada que vivera mais tempo tinha apenas onze anos. Terrivelmente abatido, sentou-se reflectindo sobre que estranha desgraça poderia ter sido a causa da morte de tantas crianças, quando um velho se dirigiu a ele e lhe perguntou o que se passava.

- O que é que aconteceu nesta povoação? Porque estão tantas crianças enterradas neste local? Que terrível maldição caiu sobre vós?

- Fique tranquilo, bom homem – disse o velho. – Não existe qualquer maldição. O que acontece é que na nossa cultura, quando um jovem faz quinze anos os pais oferecem-lhe um pequeno caderno como o que aqui tenho. A partir dessa idade, cada vez que desfrutamos realmente de algo, ou vivemos um momento especial ou intenso, sentimos amor, paz ou felicidade, anotamos no caderno essa vivência indicando quanto tempo durou. Assim vamos fazendo todos nós e, quando morremos, somam o tempo que vivemos em plenitude de sentido e consciência e anotam na lápide. Este é, meu amigo, o único tempo vivido.”

Ao reler uns posts do meu anterior blog não resisti a deixar-vos, de novo, este vídeo e  história. Vivamos a vida!
Teresa



domingo, 10 de julho de 2011

POSTAIS I

"Mandem postais!" foi o repto da nossa amiga Sónia que nos cativou de imediato. Pois será isso mesmo que vos iremos enviando, de vez em quando, nestas férias: POSTAIS!

1º) O primeiro é justamente este seu post inspirador: INSPIRA E... CONTINUA!

 2º) O segundo, a sugestão de um filme: Poesia



"Para além do discurso de que a poesia está nas coisas simples, na singeleza, o filme de Lee Chang-dong versa sobre aquela poesia que é, sobretudo, um estado de espírito, um transe (in)consciente de reflexão onde afloram os mais diversos sentimentos transformadores.
A poesia que tanto busca a protagonista do filme é justamente essa que parece inalcançável, que demanda não somente esforço psicológico, mas contemplativo. A dedicação não é estritamente mental, mas observacional. Existe a necessidade de saber olhar as coisas, percebê-las, notá-las, senti-las, para somente então partir para o embate entre o papel em branco e o pincel. Trata-se de um confrontamento poético e ao mesmo tempo cruel, de conexões delicadas e operações sensíveis. O que nos leva a outra questão pontual, de escolhas bem delineadas e precisas."
Pedro Henrique Gomes

3º) O terceiro -  Reflectir nestas palavras:

  • “Após anos e anos de assistência a pessoas que vivem os seus últimos momentos, não sei muito mais sobre a morte em si mesma, mas a minha confiança na vida não tem senão aumentado. Vivo, sem dúvida, mais intensamente, com uma consciência mais aguda, aquilo que me é dado viver, alegrias e tristezas, mas também todas essas pequenas coisas quotidianas, que são óbvias, tal como o simples andar ou respirar.
    Talvez me tenha tornado mais atenta aos que me rodeiam, consciente de que não os terei sempre ao meu lado, desejosa de os descobrir e de contribuir, tanto quanto puder, para que eles venham a ser aquilo para que são chamados.
    (…) E muitos moribundos, no instante de deixarem a vida, nos têm lançado esta mensagem pungente: Não passem ao largo da vida, não passem ao largo do amor.” Marie Hennezel
  • « Pourquoi tu es vivante? Pour avoir envie de tout. Il faut mourir  vivant, il faut gouter à tout ! »
    "Elle m`a dit d`apprendre à être contente".
         
  • As palavras com que a nossa amiga Ana Teresa nos habituou: VIVA A VIDA!

sábado, 18 de junho de 2011

Uma pausa por aqui

Estamos a chegar ao fim do ano lectivo e entrar noutra fase: a dos exames, formações, relatórios... Precisamos mesmo de fazer uma pausa por aqui. Uma pausa que abrangerá, provavelmente, as nossas férias também. E assim, com uma imagem de Richard Kolker e um poema de Silvia Zurdo, desejamos, a todos os que por aqui passam, umas BOAS FÉRIAS. Que cada um dos vossos dias seja vivido momento a momento, na intensidade do vosso coração. Até à volta!



"Quando me levanto não vejo o relógio.
Não importa a hora e isso é genial. 
Ponho o meu chapéu e protector solar. 
Rio para a manhã e ponho-me a cantar.

Para estas férias vou experimentar
Abrir os sentidos à imensidade.
Saborear cores e assim desfrutar
De cada perfume em qualquer lugar.

Contarei as estrelas, os sóis e as luas...
Mil formas nas nuvens eu descobrirei...
E num papagaio, sobre mares, montanhas,
Preso à sua cauda eu viajarei.

Aspirando o aroma fresco desta terra verde
Com as sombras a protegerem os meus jogos, 
Terei dias de plácido sossego
Para encontrar o que nunca se perde."



sábado, 11 de junho de 2011

Bom domingo e boa semana!

"Se não encontras a calma, aqui e agora, onde e quando a encontrarás?"
Mestre Dogen

Porque corremos?



Vivemos numa sociedade que parece medir o valor de cada um de acordo com a sua produtividade/acumulação de actividades. Medimos, em geral, o nosso valor tendo como padrão o nosso grupo de referência: Se tem uma casa no campo, um todo o terreno, segue uma dieta biológica, faz yoga, fala inglês fluentemente, vai de férias para um país exótico, actividades extra-curriculares dos filhos… Devemos estar ao seu nível e para isso há que correr.

David Servan-Schreiber relata-nos a sua estupefacção ao ouvir as palavras de Kalson, um órfão tibetano, que conhecera em Dharamasala, no norte da Índia, num dos campos que acolhiam os refugiados tibetanos. Kalson não sabia o que era o stress! Como era possível?

Na altura em que o conheceu, já Kalson era director de uma escola de milhares de crianças, entre as quais centenas de órfãos como ele. Abandonara a sua terra natal quando tinha oito anos escapando aos guardas da fronteira chinesa. Graças a uma bolsa internacional tinha passado dois anos nos EUA a frequentar um curso de Ciências da Educação. Contava Kalson: “Vivi com estudantes americanos. Fizéssemos o que fizéssemos, nunca era suficiente. Se estávamos no supermercado tínhamos que andar depressa para regressarmos à residência e fazermos os deveres. Se estávamos a trabalhar tínhamos que acabar o mais rapidamente possível porque viriam uns amigos ver um programa de TV. Se estávamos a ver o programa, os locutores diziam que o verdadeiro evento seria no próximo e que deveríamos começar a preparar-nos para o que viria…”

No campo de refugiados, Kalson conhecera a falta do bem mais essencial que é a água, mas não conhecera o stress. Não precisara correr para que o reconhecessem, pois sabia que o valorizavam pelo que era, sem ter de fazer nada mais. Talvez devamos parar e reflectir até que ponto aquilo que fazemos é, ou não, para nos sentirmos reconhecidos, valorizados. Lembremo-nos que o único juízo que importa quando chegarmos ao fim dos nossos dias é: Soubemos amar e ser amados? Soubemos estar de corpo e alma em cada momento, ou a pensar no que íamos fazer no momento seguinte? 

Fonte: David Servan-Schreiber, "O preço do reconhecimento"

domingo, 29 de maio de 2011

BOA SEMANA!

   Sem título, Graça Morais

"Tudo o que é feito com muita intensidade e muita verdade toca-nos sempre."
Graça Morais

Sem título, Graça Morais