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domingo, 10 de julho de 2011

POSTAIS I

"Mandem postais!" foi o repto da nossa amiga Sónia que nos cativou de imediato. Pois será isso mesmo que vos iremos enviando, de vez em quando, nestas férias: POSTAIS!

1º) O primeiro é justamente este seu post inspirador: INSPIRA E... CONTINUA!

 2º) O segundo, a sugestão de um filme: Poesia



"Para além do discurso de que a poesia está nas coisas simples, na singeleza, o filme de Lee Chang-dong versa sobre aquela poesia que é, sobretudo, um estado de espírito, um transe (in)consciente de reflexão onde afloram os mais diversos sentimentos transformadores.
A poesia que tanto busca a protagonista do filme é justamente essa que parece inalcançável, que demanda não somente esforço psicológico, mas contemplativo. A dedicação não é estritamente mental, mas observacional. Existe a necessidade de saber olhar as coisas, percebê-las, notá-las, senti-las, para somente então partir para o embate entre o papel em branco e o pincel. Trata-se de um confrontamento poético e ao mesmo tempo cruel, de conexões delicadas e operações sensíveis. O que nos leva a outra questão pontual, de escolhas bem delineadas e precisas."
Pedro Henrique Gomes

3º) O terceiro -  Reflectir nestas palavras:

  • “Após anos e anos de assistência a pessoas que vivem os seus últimos momentos, não sei muito mais sobre a morte em si mesma, mas a minha confiança na vida não tem senão aumentado. Vivo, sem dúvida, mais intensamente, com uma consciência mais aguda, aquilo que me é dado viver, alegrias e tristezas, mas também todas essas pequenas coisas quotidianas, que são óbvias, tal como o simples andar ou respirar.
    Talvez me tenha tornado mais atenta aos que me rodeiam, consciente de que não os terei sempre ao meu lado, desejosa de os descobrir e de contribuir, tanto quanto puder, para que eles venham a ser aquilo para que são chamados.
    (…) E muitos moribundos, no instante de deixarem a vida, nos têm lançado esta mensagem pungente: Não passem ao largo da vida, não passem ao largo do amor.” Marie Hennezel
  • « Pourquoi tu es vivante? Pour avoir envie de tout. Il faut mourir  vivant, il faut gouter à tout ! »
    "Elle m`a dit d`apprendre à être contente".
         
  • As palavras com que a nossa amiga Ana Teresa nos habituou: VIVA A VIDA!

sábado, 18 de junho de 2011

Uma pausa por aqui

Estamos a chegar ao fim do ano lectivo e entrar noutra fase: a dos exames, formações, relatórios... Precisamos mesmo de fazer uma pausa por aqui. Uma pausa que abrangerá, provavelmente, as nossas férias também. E assim, com uma imagem de Richard Kolker e um poema de Silvia Zurdo, desejamos, a todos os que por aqui passam, umas BOAS FÉRIAS. Que cada um dos vossos dias seja vivido momento a momento, na intensidade do vosso coração. Até à volta!



"Quando me levanto não vejo o relógio.
Não importa a hora e isso é genial. 
Ponho o meu chapéu e protector solar. 
Rio para a manhã e ponho-me a cantar.

Para estas férias vou experimentar
Abrir os sentidos à imensidade.
Saborear cores e assim desfrutar
De cada perfume em qualquer lugar.

Contarei as estrelas, os sóis e as luas...
Mil formas nas nuvens eu descobrirei...
E num papagaio, sobre mares, montanhas,
Preso à sua cauda eu viajarei.

Aspirando o aroma fresco desta terra verde
Com as sombras a protegerem os meus jogos, 
Terei dias de plácido sossego
Para encontrar o que nunca se perde."



sábado, 11 de junho de 2011

Bom domingo e boa semana!

"Se não encontras a calma, aqui e agora, onde e quando a encontrarás?"
Mestre Dogen

Porque corremos?



Vivemos numa sociedade que parece medir o valor de cada um de acordo com a sua produtividade/acumulação de actividades. Medimos, em geral, o nosso valor tendo como padrão o nosso grupo de referência: Se tem uma casa no campo, um todo o terreno, segue uma dieta biológica, faz yoga, fala inglês fluentemente, vai de férias para um país exótico, actividades extra-curriculares dos filhos… Devemos estar ao seu nível e para isso há que correr.

David Servan-Schreiber relata-nos a sua estupefacção ao ouvir as palavras de Kalson, um órfão tibetano, que conhecera em Dharamasala, no norte da Índia, num dos campos que acolhiam os refugiados tibetanos. Kalson não sabia o que era o stress! Como era possível?

Na altura em que o conheceu, já Kalson era director de uma escola de milhares de crianças, entre as quais centenas de órfãos como ele. Abandonara a sua terra natal quando tinha oito anos escapando aos guardas da fronteira chinesa. Graças a uma bolsa internacional tinha passado dois anos nos EUA a frequentar um curso de Ciências da Educação. Contava Kalson: “Vivi com estudantes americanos. Fizéssemos o que fizéssemos, nunca era suficiente. Se estávamos no supermercado tínhamos que andar depressa para regressarmos à residência e fazermos os deveres. Se estávamos a trabalhar tínhamos que acabar o mais rapidamente possível porque viriam uns amigos ver um programa de TV. Se estávamos a ver o programa, os locutores diziam que o verdadeiro evento seria no próximo e que deveríamos começar a preparar-nos para o que viria…”

No campo de refugiados, Kalson conhecera a falta do bem mais essencial que é a água, mas não conhecera o stress. Não precisara correr para que o reconhecessem, pois sabia que o valorizavam pelo que era, sem ter de fazer nada mais. Talvez devamos parar e reflectir até que ponto aquilo que fazemos é, ou não, para nos sentirmos reconhecidos, valorizados. Lembremo-nos que o único juízo que importa quando chegarmos ao fim dos nossos dias é: Soubemos amar e ser amados? Soubemos estar de corpo e alma em cada momento, ou a pensar no que íamos fazer no momento seguinte? 

Fonte: David Servan-Schreiber, "O preço do reconhecimento"

domingo, 29 de maio de 2011

BOA SEMANA!

   Sem título, Graça Morais

"Tudo o que é feito com muita intensidade e muita verdade toca-nos sempre."
Graça Morais

Sem título, Graça Morais

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Coisas boas

"Se meu mundo cair/ eu que aprenda a levitar"
José Miguel Wisnik


"Coisas boas

O cheiro da relva molhada. Correr por entre árvores, num dia frio de muito sol. Lembrar os minúsculos gestos de carinho quotidiano dos amigos que trazemos dentro da voz, mesmo que não os possamos ver. Esquecer a agenda e inventar desculpas para ficar uma tarde inteira a ler à beira-rio. Mandar às urtigas as expectativas alheias. Gozar o luxo de perder dinheiro para ganhar tempo. Receber o abraço comprido de uma criança. Pensar que mesmo que nos enganemos não é grave. Pensar que nada é verdadeiramente grave, porque haverá sempre o sol e as estrelas e as árvores onde os pássaros cantam no meio da cidade e o cheiro a terra molhada.”
Inês Pedrosa

É a consciência do instante que transforma os momentos de bem-estar numa reserva de felicidade a que podemos recorrer quando nos falta a fé ou a esperança.

domingo, 22 de maio de 2011

BOA SEMANA!

“Você tem de possuir os seus dias e tratá-los pelos nomes próprios
A cada um deles, a todos eles,
Caso contrário o ano passa
E nenhum deles lhe pertence.”
Herber Gardner

Neste domingo deixamo-vos três sugestões para viver cada dia com a consciência do coração e entrar mais em sintonia com o que é verdadeiramente importante.

1º) Reservar os primeiros minutos da manhã para criar a sua própria página do dia: Os seus “títulos do coração”- escutá-lo e falar com ele. “O que é mais importante na minha vida agora? Onde pretendes que eu vá? Quem necessita de toda a minha energia, tempo e atenção? O que pretendes que eu diga e a quem?”


2º) Lembre-se de, sempre que possa, conectar-se  com a natureza: Respirar profundamente, entrar em sintonia com o silêncio que está para além do espaço e do tempo. Parar. Regressar ao ritmo original. Porque, com nos diz Lao Tsé, “a natureza não tem pressa, todavia tudo se cumpre.”



3º) Finalizar o dia com um exercício de consciencialização: Compilar uma lista dos momentos (experiências, relacionamentos, lugares, pessoas, livros, músicas, filmes, acontecimentos…) pelos quais se sente agradecido. Note-se que este exercício só funciona se for praticado. Na compilação deve ser incluída, em cada entrada, um “quê” e um “porquê” (igualmente importantes porque o objectivo não é apenas criar uma lista, mas sim reconhecer o que aprecia e valoriza na vida).