"Uma força é tanto mais eficiente quanto mais silenciosa e subtil for. O amor é a mais subtil das forças no mundo."
Mahatma Gandhi
"Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus
discípulos:
"Por que é que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?"
"Gritamos porque perdemos a calma", disse um deles.
"Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?"
Questionou novamente o pensador.
"Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça", retrucou
outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar:
"Então não é possível falar-lhe em voz baixa?" Várias outras respostas
surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:
"Vocês sabem por que se grita com uma pessoa quando se está
aborrecido?" O facto é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, os
seus corações afastam-se muito. Para cobrir esta distância precisam
gritar para poderem escutar-se mutuamente.
Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para se ouvirem um ao outro, através da grande distância.
Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão apaixonadas? Elas não gritam. Falam suavemente.
E por quê? Porque os seus corações estão muito perto.
A distância entre elas é pequena.
Às vezes os seus corações estão tão próximos,
que nem falam, somente sussurram.
E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer de sussurrar, apenas se olham, e basta. Os seus corações entendem-se.
É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas."
Por fim, o pensador conclui, dizendo:
"Quando vocês discutirem, não deixem que os vossos corações se
afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um
dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho
de volta".
Mahatma Gandhi
segunda-feira, 7 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Ousar partir
“Certa noite, no gueto de Varsóvia, o devoto e fiel rabino Eisik teve um sonho, no qual lhe era ordenado que fizesse uma longa viagem até Praga, para lá descobrir um tesouro escondido, enterrado sob a ponte principal que levava ao castelo do rei. Surpreso, o rabino adiou a partida. Mas o sonho repetiu-se por mais duas vezes. Depois do terceiro aviso, toma uma decisão: pega na trouxa, abraça a mulher e os filhos e mete-se à estrada.
Após longas semanas de marcha, com os pés em sangue chega à Boémia. A sua emoção é grande ao constatar que a topografia da cidade é exactamente igual à do sonho.
Infelizmente a ponte está guardada dia e noite por sentinelas e o rabino não se atreve, portanto, a fazer nenhuma escavação. Limita-se a voltar a cada manhã e a perambular até o anoitecer; fica a olhar a ponte, observando as sentinelas e examinando, sem tentar coisa alguma, a alvenaria e o solo.
Por fim, o capitão dos guardas, curioso com a insistente presença do ancião, aproximou-se e perguntou-lhe com gentileza se perdera alguma coisa ou se esperava alguém. Era um capitão simpático, apesar de seu bigode feroz e Eisik sentiu afeição por ele. O rabino, com simplicidade confiante, contou-lhe então o sonho, e o oficial recuou um passo, rindo:
– És, na verdade, um pobre homem! – disse-lhe o capitão. Gastaste os sapatos nessa longa caminhada só por causa de um sonho? Quem, sendo sensato, acreditaria em sonhos? Olha, se eu acreditasse neles, estaria a fazer o contrário do que faço neste preciso momento. Teria feito uma peregrinação tão tola como a tua, com a diferença de que tomaria a direção oposta, mas chegando, sem dúvida, a um resultado igual. Deixa-me contar-te o meu sonho.
– Sonhei com uma voz, que me falou de Cracóvia – disse o oficial da guarda. Ordenou-me que fosse até lá procurar um grande tesouro na casa de um rabino chamado Eisik, filho de Jekel! – riu-se de novo o capitão, com um brilho no olhar.
– Imagina só, ir até Cracóvia e pôr abaixo as paredes de todas as casas do gueto, onde o nome de metade dos homens é Eisik e da outra metade Jekel! Eisik, filho de Jekel, além de tudo! – e ria sem parar dessa inacreditável pilhéria.
O modesto rabino, porém ouviu-o com ansiedade. Agradeceu ao amigo estrangeiro e, despedindo-se com uma grande mesura, voltou apressado ao lar distante. Escavou um canto esquecido da casa e descobriu o tesouro que o livrou da miséria e lhe permitiu construir a casa de orações que ainda hoje tem o seu nome."
Após longas semanas de marcha, com os pés em sangue chega à Boémia. A sua emoção é grande ao constatar que a topografia da cidade é exactamente igual à do sonho.
Infelizmente a ponte está guardada dia e noite por sentinelas e o rabino não se atreve, portanto, a fazer nenhuma escavação. Limita-se a voltar a cada manhã e a perambular até o anoitecer; fica a olhar a ponte, observando as sentinelas e examinando, sem tentar coisa alguma, a alvenaria e o solo.
Por fim, o capitão dos guardas, curioso com a insistente presença do ancião, aproximou-se e perguntou-lhe com gentileza se perdera alguma coisa ou se esperava alguém. Era um capitão simpático, apesar de seu bigode feroz e Eisik sentiu afeição por ele. O rabino, com simplicidade confiante, contou-lhe então o sonho, e o oficial recuou um passo, rindo:
– És, na verdade, um pobre homem! – disse-lhe o capitão. Gastaste os sapatos nessa longa caminhada só por causa de um sonho? Quem, sendo sensato, acreditaria em sonhos? Olha, se eu acreditasse neles, estaria a fazer o contrário do que faço neste preciso momento. Teria feito uma peregrinação tão tola como a tua, com a diferença de que tomaria a direção oposta, mas chegando, sem dúvida, a um resultado igual. Deixa-me contar-te o meu sonho.
– Sonhei com uma voz, que me falou de Cracóvia – disse o oficial da guarda. Ordenou-me que fosse até lá procurar um grande tesouro na casa de um rabino chamado Eisik, filho de Jekel! – riu-se de novo o capitão, com um brilho no olhar.
– Imagina só, ir até Cracóvia e pôr abaixo as paredes de todas as casas do gueto, onde o nome de metade dos homens é Eisik e da outra metade Jekel! Eisik, filho de Jekel, além de tudo! – e ria sem parar dessa inacreditável pilhéria.
O modesto rabino, porém ouviu-o com ansiedade. Agradeceu ao amigo estrangeiro e, despedindo-se com uma grande mesura, voltou apressado ao lar distante. Escavou um canto esquecido da casa e descobriu o tesouro que o livrou da miséria e lhe permitiu construir a casa de orações que ainda hoje tem o seu nome."
Aquilo que procuramos longe, está na realidade no mais íntimo do nosso ser, mas só temos acesso a esta revelação no final do caminho. Aquele que não ousou partir, não terá direito a uma pátria: Para conquistar a sua pátria há, primeiro, que voltar-lhe as costas. O caminho mais curto para chegar a si mesmo continua a ser o desvio mais longo.
"Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida"
Ainda que pareça muito Ser ou Não Ser, tal como defendi em tempos numa peça de teatro que escrevi, a magia está em Ser e Não Ser. Somos sempre muitos e em muitos tempos e a tentação, para não nos perdermos e nos sentirmos minimamente equilibradas, é ir sendo uma coisa ou outra. Disparate. Podemos ser o tudo ou o nada, porque só dessa forma seremos o todo. Metades, partes, partículas, mais ou menos definidas. Adolescência, experiências, adultos, teorias. Afinal a multiplicidade existe. O desafio e, quem sabe a felicidade, está em ser uno na diversidade. Acima de tudo, deixarmo-nos ir sendo. Nada é apenas 8 ou 80. Nada é apenas branco ou preto. Há todo um universo de matizes e possibilidades. Experimentemos pois, sem medos e sem preconceitos ser o outro do outro que somos. E inventemos diálogos e discussões acesas e frutíferas, como a Primavera que está a chegar, para que tenhamos frutos pessoais e interpessoais porque a empatia nasce aí, nesse lugar onde, se nos colocarmos no lugar do outro, podemos ser tudo - como se fosse a primeira vez.
Alexandra
Metade - Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza.
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.
Alexandra
Metade - Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza.
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
BOA SEMANA!
"Porque é que temos receio da primeira vez? Tudo na vida é uma primeira vez. Cada manhã é uma nova manhã, nunca vivemos o mesmo dia duas vezes."
Filme YI-YINada é fixo. Tudo se move e transforma continuamente, tanto nas nossas vidas como na totalidade do Universo. Lembrarmo-nos que a mudança é a essência da vida permite-nos relativizar aquilo que nos acontece, colocar os acontecimentos em perspectiva, dar maior atenção às nossas relações com os outros, pois sabemos que estão em constante evolução. Permite-nos, ainda, acreditar na possibilidade da mudança que almejamos e não recear arriscar.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Criatividade
"A criatividade permite-nos avançar. Sem criatividade não existem ideias a circular, logo não há inovação (...)
O risco é essencial para continuarmos no topo. Correr riscos, apostar no desenvolvimento do nosso produto e nas pessoas que trabalham connosco é crucial."
Lyn Heward (directora criativa do Cirque du Soleil)
Todos temos um potencial criativo. Para concretizá-lo há que nos abrirmos ao mundo: Saborear, escutar cada som e cada experiência, envolvermo-nos totalmente na cor de cada sentido. Expormo-nos integralmente. Não recear novas experiências. É a criatividade, como nos diz L. Heward, que nos permite avançar. Sem ela, estagnamos. Há que correr riscos, tentar o novo e partilhá-lo com os outros.
Sentir com todos os nossos "sentidos", partilhar o nosso "sentir", abre-nos, cada vez mais, à criatividade, a qual, por sua vez, nos leva a viver em plenitude de SENTIDO.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
BOA SEMANA!
"UM SONHO SONHADO SOZINHO NÃO PASSA DE UM SONHO.
UM SONHO SONHADO EM CONJUNTO É UMA REALIDADE"
J. Lennon
"A MELHOR MANEIRA DE FAZER A DIFERENÇA É FAZER AQUILO QUE FAZEMOS MELHOR"
Como professora vivo rodeada de jovens. Há dias bons e dias menos bons. Há momentos difíceis e frustrantes, mas em 26 anos de serviço – por entre muitos desabafos e muitas queixas – (sou humana), nunca pensei em exercer outra actividade.
Há uns meses recebi na minha aula um grupo de jovens com um projecto aliciante (AQUI). A ideia, adjectivada de “simples” por eles, é, afinal, imensa e linda e contagiante.
Fez-me sentir orgulho destes jovens e de tantos outros que tenho conhecido. Fez-me sentir também uma espécie de “Transformer” no meu dia a dia. Qual o meu super poder? Gostar de ser professora e de o partilhar com alunos e colegas e de me poder considerar, como um dos mentores do projecto diz neste programa, mais uma “ uma pequena gota” nesta sociedade onde, decerto, posso fazer a diferença, mesmo que o oceano não possa ser abarcado na sua totalidade pelo olhar, mesmo que dar aulas seja um trabalho em relação ao qual não se vêem imediatamente os resultados.
Alexandra Pelágio
Geração rasca? À Rasca? Não! Geração Fantástica!
Há jovens fantásticos! Criativos, solidários, inovadores e com vontade de provocar mudanças.
Ficámos muito contentes ao saber deste projecto e, mais ainda, quando nos apercebemos que alguns dos seus mentores até passaram pela nossa escola. Estiveram cá, enquanto alunos e, este ano lectivo, para apresentarem o projecto e dar o que de melhor têm. Segundo o site http://www.projectotransformers.org/ “ transformer é um jovem equipado e capacitado com um desporto, arte ou actividade, e que usa essa sua paixão e habilidade para, em equipa, transformar positivamente a sua comunidade de uma forma única, pessoal e original.”
Que exemplo este de quem se preocupa em dar, àqueles que o rodeiam, ferramentas que estimulem o aproveitamento do verdadeiro potencial de cada jovem.
Numa altura em que ouvimos constantemente dizer que os jovens são consumistas, egoístas e pouco trabalhadores, fica a prova que há muitos que dão provas que estes adjectivos não se encaixam nas suas vivências diárias. Mais, estes jovens acreditam que é possível transformar uma sociedade carente e às vezes doente, através de acções que parecem relativamente simples mas que, de certo, dão muito trabalho.
Vocês são uma Geração Fantástica! Parabéns ao projecto, à vossa solidariedade e ao estímulo que dão, com certeza, a outros jovens apenas um pouco mais novos. Desejamos que essas “ transformações” sejam uma realidade e que com elas possam ajudar a construir um mundo melhor.
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