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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sentido e voluntariado

         Testemunho de uma voluntária na Missão de Água Izé em S.Tomé:

“Qual é o sentido da vida? O que nos faz correr? São perguntas que me ocorrem com frequência. E acredito que sejam perguntas que todos se colocam, pelo menos uma vez na vida. Eu, ao tentar dar respostas, fui percebendo que o sentido da vida é tão simples e ao mesmo tempo exigente. Mas também percebo que só essa exigência a torna tão bela. Percebi que respostas estruturadas e filosoficamente fundamentadas não me satisfaziam. Descobri que as minhas opções diárias, os meus gestos e os meus compromissos eram a resposta. Fui revelando a mim mesma que a felicidade estava nos momentos em que genuinamente ia ao encontro dos outros e simplesmente estava, ficava, só ficava!”
                                                                                               Carmo Fernandes


O voluntariado é, em geral, uma experiência transformadora. Dar o melhor de nós e do nosso tempo a quem precisa, acaba por nos revelar que recebemos muito mais do que aquilo que oferecemos. No entanto, devemos consciencializar-nos que uma das condições para o voluntariado é o compromisso real. Outra condição será a de não criar demasiadas expectativas – aquilo que podemos fazer nem sempre corresponde ao que almejamos (devemos ter sempre presente que não somos os “salvadores” do mundo). Uma terceira condição será a de que a nossa adesão a um projecto de voluntariado não seja motivada por um impulso inconsequente, fruto de um desejo de compensação das nossas carências.
                Especialistas em voluntariado constataram que muitas pessoas em períodos difíceis da sua vida profissional ou familiar, procuram um sentido mais gratificante para a sua existência, começando a dedicar-se a projectos de voluntariado. Começam entusiasmadas, mas depois… deixam de aparecer de um dia para o outro. Ora, devemos estar conscientes do compromisso que assumimos e respeitá-lo. É importante também escolher um projecto com que nos identifiquemos. Desde “depositar” parte do nosso tempo no Banco do tempo, apoiar os sem-abrigo ou as crianças de rua, integrar movimentos para erradicar a pobreza ou reciclar o lixo, partir em missões solidárias no exterior, ou aderir ao “voluntarismo” (uma associação entre turismo e voluntariado que une a ajuda num projecto comunitário a uma viagem com destino exótico), o leque de escolhas é muito variado.
                Mesmo que não nos associemos a um projecto de voluntariado, podemos dar o nosso apoio, a nossa presença, o nosso afecto, a nossa compreensão. Como nos diz Thich Nhat Hanh o presente, mais precioso, que podemos oferecer, àqueles que amamos, é a nossa energia de compreensão e amor. Aquilo que os outros mais precisam é da nossa compreensão, amor e olhar profundo – não como ideias, mas enquanto realidade viva.”
 Teresa Ferreira

 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Sentido


"Sentido tem a ver com caminho, viagem e direcção - nas estradas, por exemplo, encontramos placas em seta a indicar o caminho e a direcção para alcançar uma meta, um objectivo, um destino. Qual é então o caminho e o sentido da existência humana? O que move a minha vida?
O Homem vem ao mundo por fazer e quer queira quer não tem essa tarefa constitutiva: fazer-se a si mesmo. E tanto podemos fazer de nós uma obra de arte como fracassar.
Einstein constatou que quem sente a vida vazia de sentido não é feliz e sobrevive mal. O Homem não pode viver sem sentido. Aliás, a existência humana está baseada na convicção do sentido. A sua própria negação ainda o afirma. No limite, não é possível o "suicídio lógico", pois quem pegasse numa arma para suicidar-se, porque tudo é absurdo, negaria o absurdo e afirmaria o sentido.
O famoso psiquiatra Viktor Frankl, fundador da logoterapia, mostrou, a partir dos estudos que realizou com base na sua terrível experiência nos campos de concentração nazis, que a exigência mais radical do ser humano é o sentido, razões para viver. Contra Freud e Adler, no mais fundo de nós, mais do que a exigência de prazer e de poder está a vontade de sentido.
Nos campos de concentração, verificou que sobreviviam mais aqueles que ainda tinham um sentido para a existência: reencontrar a família, realizar uma obra, lutar para que nunca mais acontecesse o intolerável. O que significa que o sentido não está em nós, mas fora. Se estivesse em nós, não se colocaria a questão, pois estaria sempre presente. O sentido está no encontro com o mundo e com os outros: é saindo de si que o Homem vem a si. Dá um exemplo: quando se começa a ver pequenas manchas à frente do olho, é bom ir ao médico, pois está doente: o olho é intencional, isto é, não foi feito para se ver a si mesmo, mas o que não é ele. Paradoxalmente, só saindo de si é que o Homem encontra sentido. É o amor que dá sentido. Por isso, sente a vida como tendo sentido quem vê a sua existência reconhecida. A nossa vida não tem sentido, quando não vale para ninguém." 

Anselmo Borges


domingo, 9 de janeiro de 2011

BOA SEMANA!

                                                               Michel Rauscher


      "O barco está ao abrigo no porto, mas os barcos não foram feitos para tal".
                                                                             John A. Shedd

      No momento de fazer determinadas escolhas, esta frase pode orientar-nos:
  •  Há que nos lançarmos "ao mar", à vida. Há que arriscar porque o nosso maior risco é justamente o de não arriscarmos. 
  • Mas... Antes de nos lançarmos "ao mar" há que nos prepararmos e é no porto que nos preparamos, num ambiente seguro, na companhia dos nossos próximos. Em seguida, podemos perguntar-nos: A minha embarcação é segura?
  • Assim que tivermos feito o trabalho necessário sobre nós próprios, que estivermos seguros daquilo que queremos, então, sim, podemos e devemos "lançar-nos ao mar".

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Humor

“O dia mais mal gasto de todos é aquele em que não nos rimos”
                                                                                       S. Chamfort
  
“O riso é o caminho mais directo entre duas pessoas.”
                                                                      C. Chaplin

Sabiam que um minuto de riso equivale a 45 de relaxamento? O humor torna-nos a vida mais fácil. Está provado que quem ri é mais produtivo, mais criativo, mais comunicativo, toma decisões mais rapidamente e não tem tanta propensão para a doença, pois o riso fortifica o sistema imunológico e liberta endorfinas que combatem a dor. Um minuto de riso equivale a quarenta e cinco de relaxamento e dez minutos de riso incontido baixam as dores físicas durante, pelo menos, duas horas.
Como nos diz Helena Marujo: Com humor a comunicação melhora, a aceitação mútua cresce, a frustração tem um encaminhamento mais adequado.
Não há dúvida que, mesmo entre estranhos, uma gargalhada em conjunto abre as portas do entendimento.
Vale a pena adicionar algumas boas gargalhadas ao que fazemos quotidianamente e encarar a vida com mais humor. 
Para terminar a tarde deixamo-vos as "Leis de Murphy" que não sendo propriamente optimistas, nem tampouco suscitem grandes gargalhadas, retratam muito do nosso quotidiano que, sem dúvida, está carregadinho de humor.



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

BOA SEMANA!

Abrir os olhos....  Não perder de vista os acontecimentos.....
E no fim, podem bater palmas mesmo que estejam sozinhos ...........


sábado, 1 de janeiro de 2011

Esperança

"Os tubarões têm de seguir em frente para sobreviver. As pessoas têm de seguir em frente se quiserem que os seus sonhos sobrevivam. Não precisa fazer tudo hoje, mas precisa fazer alguma coisa todos os dias."
                                                                                    David Niven

A esperança tem o poder de reforçar a nossa vontade de lutar para concretizar aquilo que desejamos.
Mas... Não basta ter esperança. É necessário pensar estratégias que nos levem a atingir metas. A esperança está intimamente relacionada com a crença de que se é capaz, de que se tem o controle sobre os acontecimentos da vida e ainda, com a capacidade de resistir perante as dificuldades, de resolver os problemas e encontrar caminhos alternativos para atingir metas. 
Haverá algo mais libertador do que poder agarrar as rédeas da nossa própria vida, mantendo uma esperança inabalável nela e em nós próprios?
O optimismo faz aumentar consideravelmente os níveis de esperança. As pessoas mais optimistas têm mais capacidade de ter o futuro como horizonte, independentemente de como foi o seu passado e está a ser o seu presente.
Já que estamos a inaugurar um novo ano, vale a pena lembrar que a realização dos nossos sonhos pode começar agora, nas nossas mentes e nos nossos corações. 
"Na nossa mente porque é preciso planejar, analisar possibilidades a curto, médio e longo prazo e até elaborar um cronograma de acção. No coração, pois quando se acredita no próprio talento e capacidade todo o Universo se coloca a nosso favor."
Não tenhamos receio de pensar grande e fazer os nossos sonhos voarem bem alto como se fossem papagaios de papel pelo ar. Ousemos voar!

                                                                 Chagall

E agora, mesmo acabadinho de chegar, outro poema, também enviado pela Eduarda, mas este de Carlos Drummond de Andrade. Tínhamos que partilhar convosco. É que, como diz David Niven, para voarmos precisamos "fazer  alguma coisa todos os dias". Voemos, então, cada vez mais! Porque é "dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre."

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

O Novo Ano

 Aqui vos deixamos o poema que a nossa amiga Eduarda Galhoz nos enviou ontem à noite. Muito obrigada Eduarda!
 
O Novo Ano vai nascer
Esperança nos vai trazer
Queremos sempre melhorar
E o nosso rumo encontrar
Sonhamos poder corrigir
Os eventos do porvir.

Ano Novo é sempre esperança
O melhor nos vem à lembrança
Queremos com os amigos estar
As relações desejamos melhorar
Cultivamos com força a saudade
De tudo o que formou uma amizade.

2011 está a surgir
Vem com esperança e a sorrir
Abraços vamos trocar
A amizade vai transbordar
E com sorrisos e boa disposição
Selamos a amizade no coração.


Maria Eduarda Galhoz, 31 de Dezembro de 2010